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Os sonhos pop dos Belle & Sebastian

Texto: NUNO GALOPIM

Os Belle & Sebastian vão editar, a um ritmo mensal, um conjunto de três EP sob o título “How To Solve Our Human Problems”. O primeiro procura caminhos pop, tal como o fizera o álbum de 2015, mas com alguns temperos diferentes.

Foi há já mais de 20 anos que uma banda de Glasgow foi pedir ajuda a um professor universitário para gravar uma maquete que o departamento de gestão da escola depois escolheu para que com ela se editasse o single que, anualmente, colocava no mercado. A primeira exceção à regra face a esta rotina anual foi que, dada a quantidade e qualidades das canções registadas na maquete, o departamento de gestão resolveu lançar um álbum e não um single. E a segunda foi que o professor a quem os músicos tinham pedido ajuda era nada mais nada menos do que Alan Rankine, o parceiro de Billy McKenzie nos Associates. Assim surgiu no mercado, em 1996, o álbum Tigermilk. E, com ele, a estreia dos Belle & Sebastian. Apesar do fôlego maior com que assinalavam a sua estreia, a banda (que foi buscar nome a uma série de televisão que adaptava ao pequeno ecrã o romance homónimo de Cécile Aubry), os Belle & Sebastian nunca puseram de lado os formatos pequenos. E ao longo da sua discografia apostaram por diversas vezes no formato do EP. Na verdade fizeram-no tantas vezes e com tão bons resultados que um dos seus melhores discos é mesmo Push Barman to Open Old Wounds, uma coleção dos sete singles e EP que editaram entre 1997 e 2001. Por isso agora, quando anunciam o arranque de uma série de três EP, a lançar ao ritmo de um por mês, mais não fazem senão ser fieis a uma das suas marcas de identidade.

Se na forma a apresentação de novas canções no formato de EP não traz novidade, já no conteúdo (ou seja, nas canções), os Belle & Sebastian tentam aqui espreitar um pouco em redor do seu espaço de labor mais habitual sem, contudo, o descaracterizar. Revelado há já alguns meses o tema We Were Beautiful colocava-os desde logo numa linha de continuidade face às visões pop ensaiadas no álbum Girls In Peacetime Want to Dance, de 2015. Com maior abertura a ecos das memórias pop folk dos caminhos que a banda seguira outrora (sem esquecer flauta e candura) no belíssimo Fickle Season (o melhor momento do EP), o alinhamento revela depois ensaios a outros sabores pop, ora com algum travo R&B e temperos a velhos sintetizadores em Sweet Dew Lee, ora a piscar o olho tanto ao terreno pop eletrónico dos Magnetic Fields dos primeiros tempos e até mesmo aos Human League (sobretudo na dinâmica de vozes) em The Girl Doesn’t get It. E fecha com o instrumental de travo mais elétrico Everything is Now (que na verdade não apaga a presença das vozes). How To Solve Our Human Problems (Part 1) pode não revelar um alinhamento arrebatador como os dos singles e EP que Push Barman to Open Old Wounds recolhia em 2005. Mas é mais um sinal de vitalidade de uma banda que, com mais de 20 anos de vida, se mantém firme na demarcação de uma identidade mas que continua a gostar de, regularmente, ir mudando o papel de parede das suas canções.

“How To Solve Our Human Problems (Part 1)”, dos Belle & Sebastian, está disponível num EP em suportes de vinil e CD e também nas plataformas digitais, numa edição da Matador. ★★★

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1 Comment on Os sonhos pop dos Belle & Sebastian

  1. *Glasgow 😉

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