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O que se esconde por detrás de uma grande referência?

Texto: NUNO GALOPIM

O primeiro episódio da quarta temporada de “Black Mirror” começa por citar Star Trek num aparente tom de comédia para, depois, nos transportar para uma trama numa dimensão bem mais perturbante.

Com um historial que ultrapassou já o meio século de vida o universo Star Trek cruzou-se já com inúmeros outros, não sendo de todo invulgar que as suas personagens, dinâmicas e características acabem por surgir, quer em jeito de citação quer de paródia, em outras criações. E desde Galaxy Quest ao single Star Trekkin’ dos The Firm (que chegou a ocupar o primeiro lugar na tabela britânica em 1987), não faltaram ocasiões em que o humor dominou momentos de homenagem a uma referência maior na história da ficção científica com berço televisivo. Não é por isso que USS Callister, o primeiro episódio da quarta temporada de Black Mirror, surpreende. Mas sim porque parte de uma referência cultural há muito assimilada por todos para, uma vez mais, nos dar conta de como há medos a explorar na nossa relação com evolução da tecnologia e o que o futuro nos guarda. E esse, afinal, é tutano que cruza estas histórias. E neste caso em particular criando um momento que conquistou já o seu lugar de destaque no panorama televisivo desta temporada de passagem de ano.

Com um conjunto de seis novos episódios lançado a 27 de dezembro, Black Mirror parece querer de facto confirmar-se como a grande herdeira atual de séries “antológicas” marcantes na história das representações do fantástico na ficção televisiva como o foram Twilight Zone ou The Outer Limits.

USS Callistair não podia ser melhor cartão de visita para este novo corpo de episódios. A narrativa transporta-nos à ponte de comando de uma nave de uma federação (tal como a United Federation of Planets, mas com nome naturalmente parecido) na qual um comandante talhado à imagem de um Kirk “clássico” resolve as mais críticas situações de forma ousada e resoluta. Ele não é mais senão um avatar em realidade virtual do tímido e apagado codiretor de uma companhia de videojogos, esmagado pela presença do seu parceiro de negócios, incapaz de fazer frente a quem quer que seja e fã confesso de uma série clássica de ficção científica, a Space Fleet, da qual tem todos os episódios nas edições em VHS, DVD e Blu-ray… Infinity é o jogo que criou inspirado por este universo. E o episódio avança dando-nos a conhecer, num aparente registo de comédia, como é ali que Robert Daly (interpretado por Jesse Plemons) encontra o viço que falta ao seu dia a dia. Até que percebemos que, na verdade, ele mantém em casa uma versão privada do jogo na qual algo muito perturbante está a acontecer. O twist confronta-nos com as possibilidades que a realidade virtual levanta (como verdade tecnológica mas também enquanto ferramenta de ficção) e transporta USS Callister para aquela dimensão que deixa bem claro como, bem mais do que os efeitos de pós produção, uma boa ideia narrativa e um bom guião são peças seguras para alcançar bons resultados em ficção científica…

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