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E depois do fim de semana…

Texto: NUNO GALOPIM

O primeiro álbum que Rostam grava a solo revela sinais de uma busca por sonoridades e caminhos na composição que vão para além do que antes fez nos Vampire Weekend sem, mesmo assim, voltar as costas a esses episódios anteriores. Um disco de 2017 a (re)descobrir em 2018.

Rostam

Foi através de um tweet que, em 2016, Rostam Batmanglij anunciou que ia deixar os Vampire Weekend, deixando contudo a porta aberta a futuras colaborações tanto com o vocalista Ezra Koenig como em futuros discos da banda na qual desempenhara um papel fulcral até então… Surpresa? Nem por isso. Num tempo de pausa entre discos dos Vampire Weekend tinha-se já juntado ao vocalista dos Ra Ra Riot para, através do projeto Discovery, experimentar outras ideias e destinos, valorizando mais do que nos discos do seu daytime job a presença das eletrónicas. Depois houve trabalhos com figuras como Charli XCX ou Carly Ray Jepesen. Um álbum gravado a meias com Hamilton Leihauser (dos The Walkmen). Lançar-se numa rota a solo, decisão que acompanhou também uma mudança de casa de Nova Iorque para Los Angeles, não era de todo um elemento de rutura neste percurso. Antes, um episódio de um trajeto natural e que apenas reforça a multidão de ideias e desejos que o habitam… E basta escutar o seu álbum de estreia em nome próprio para que tudo faça sentido.

Editado em setembro de 2017, engolido pelos tubarões da rentrée (um timing nada manso para quem lança o que quer que seja), o álbum de estreia de Rostam – deixou o Batmanglij de lado na assinatura artística – não conheceu a mesma exposição mediática do que a que antes abraçada o primeiro disco a solo do ex-companheiro de banda Chris Baio (que entretanto lançou um segundo disco menos entusiasmante). Mas a verdade é que se o primeiro álbum de Baio revelou um bouquet de deliciosas canções pop, o álbum de estreia de Rostam é um prazer para o ouvido que gosta de sabores gourmet. Porque, além de um bom esforço de composição, o que mais encanta neste disco é o trabalho de procura e moldagem de sons. E é aí que as visões feitas de muitas cores e formas que já antes passaram por experiências anteriores de Rostam ganha um solo firme. Tudo aqui cabe. E tudo faz sentido. E esse tudo tanto compota piscadelas de olho ao que é a natural descendência do trabalho com os Vampire Weekend ao assumir das heranças genéticas de ascendência persa que definem a identidade do próprio Rostam. E não esquece sequer uma postura vocal que não nos quer iludir ao procurar mais a ideia do que a perfeição do canto. Half Light é um álbum cheio de ideias, de canções e de percursos… Pede tempo para a digestão. Mas sabe bem. Muito bem.

“Half Light”, de Rostam, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Nonesuch ★★★★

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