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Chuck Berry e Glenn Gould a caminho… dos aliens

Texto: NUNO GALOPIM

Carl Sagan liderou a equipa que escolheu os conteúdos de som e imagem que as sondas Voyager levaram para o espaço. Cápsulas do tempo para contar quem somos a quem eventualmente um dia as encontre… Agora, os discos dourados das sondas Voyager podem chegar a nossas casas. Em CD e em vinil.

Quando se fala em exportação de música, das tentativas e dos sucessos, acabo sempre a pensar que não deve haver aventura export mais colossal do que aquela através da qual nós (seres humanos) enviámos música para… as estrelas. E, pelo caminho, quem sabe, aliens melómanos que a possam um dia escutar. O que pode parecer uma ideia para uma narrativa de ficção científica na verdade é uma realidade há já quatro décadas. E, de facto, há dois discos a rumar para bem longe, cada dia afastando-se mais do nosso planeta, seguindo a bordo dos dois objetos construídos pela humanidade que mais distantes estão deste globo azul que habitamos.

A bordo das sondas Voyager 1 e Voyager 2, lançadas pela Nasa em agosto e setembro de 1977, dois “golden records” transportam pelo cosmos sons do nosso mundo. Música, discursos, registos áudio dos ambientes em que vivemos… Estão longe, bem longe. Mas na verdade ainda longe de chegar a um outro sistema solar. A Voyager 1, por exemplo, que em 1990 tirou ao nosso sistema solar o seu primeiro “retrato de família” visto de fora, está neste momento já a 141 UA (unidades astronómicas) – o que é muito – de distância da Terra… Mas só daqui a 300 anos atingirá a nuvem de Oort e daqui a 40 mil anos passará a 1,6 anos-luz da estrela Gilese. Nessa altura, porém, os seus instrumentos terão deixado de funcionar (data que, de resto, está apontada para 2025). A Voyager 2, que tomou um caminho diferente (e visitou Urano e Neptuno), está a 116 UA da Terra, daqui a 40 mil anos passará a 1,7 anos-luz da estrela Ross e, daqui a 296 mil anos, a 4,3 anos-luz de Sirius. Pois é, o cosmos é uma realidade que vai para lá das nossas noções habituais de espaço e tempo…

Pois estes discos que viajam para longe, levando a bordo excertos de gravações de obras de Bach (por Glenn Gould), Mozart, Stravinsky ou Beethoven, registos de world music das mais diversas geografias, um pouco de blues por Blind Willie Johnsson, jazz com Louis Armstrong e os seus Hot Seven e o rock’n’roll de Chuck Berry (mais concretamente o clássico Johnny B Goode) e também saudações em 55 idiomas e cantos de baleias, numa seleção feita por um comité da Nasa que teve Carl Sagan como seu líder de projeto, vão conhecer esta semana uma nova edição bem terrena. E surge após uma campanha de recolha de fundos ter permitido a sua edição.

A Ozma Records vai lançar uma edição especial do conteúdo destes discos dourados. Na verdade são duas, uma com os conteúdos áudio em vinil dourado, a outra com os mesmos registos em CD… Os discos mostram o som remasterizado a partir das fitas originalmente usadas. Junta as imagens que seguem igualmente a bordo das sondas Voyager (nas quais se mostra quem somos e onde moramos). E inclui ainda um livro com um ensaio inédito assinado pelo jornalista Timothy Ferris (que em 1977 foi o produtor do Voyager Interstellar Record) e uma galeria de imagens transmitidas pelas sondas Voyager nos seus trajetos pelo sistema solar. Assim podemos ter um destes discos antes dos aliens

Pode ver aqui mais detalhes sobre esta edição.

Aqui um olhar sobre o processo de fabrico:

E pode ver aqui uma reportagem sobre esta edição apresentada pela NBC

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