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Marianne Faithfull… À falta de melhor…

Texto: NUNO GALOPIM

Apresentado na edição de 2017 do DocLisboa, o documentário “Marianne Faithfull, Fleur d’Âme”, de Sandrine Bonnaire, tem agora uma vida em sala, com exibições ao longo desta semana no Cinema Ideal, em Lisboa.

Não basta ter uma figura pela frente e a sua história para que se justifique um filme. Há alguns anos, numa das ocasiões em que falei com Marianne Faithfull, senti como o recordar das memórias estafadas dos anos 60, a vida com Mick Jagger, a etapa junkie nos setentas e outras mais vivências menos luminosas se tinham tornado para si um fardo não minimal, mas repetitivo, em entrevistas e mais entrevistas. E por isso, explicou-me, escreveu uma autobiografia onde conta tudo. E bem. E tal como no livro também em frente à câmara de Sandrine Bonnaire tentou uma vez mais ser honesta, como ali confessa… Porém, salvo o instante dessas confissões e os momentos nos quais sentimos que a presença da câmara se torna incómoda para a cantora, pedindo esta, por tudo, que a realizadora a desligue, gerando um momento incómodo, quase perturbante, tudo o resto que vemos neste documentário é um mais-do-mesmo que nada acrescenta às biografias tantas vezes já contadas de Marianne Faithfull publicadas entre livros e revistas ao longo de uma vida que soma já mais de meio século de carreira.

O filme é essencialmente um era-uma-vez cronologicamente arrumado, que gasta mais de metade do seu tempo entre os idos da swinging London. Tem o mérito de juntar muito bom arquivo (sem contudo muitas vezes nos dizer do que se trata) e de estabelecer contrastes com o presente. Mas que fora disso nada mais parece ter para nos contar. Carece de um rumo, de uma ideia condutora… Um ponto de vista. Afinal o que se conta? A biografia de fio a pavio? Se assim é, então é pela rama que a coisa fica, deixando inúmeros episódios e acontecimentos por tratar condignamente… Faltava ainda um grande documentário sobre Marianne Faithfull, é verdade. Mas claramente não este filme que vai ocupar esse lugar… Porém, à falta de melhor…

“Faithful”, de Sandrine Bonnaire, está em exibição no Cinema Ideal juntamente com a curta de 26 minutos “Why Is Difficult to Make Films in Kurdistan”, de Ebrû Avci.

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