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O que se está a passar com os novos episódios de Star Trek?

Texto: NUNO GALOPIM

Num contraste com a primeira parte da primeira temporada, os novos episódios de ‘Star Trek: Discovery’ definem uma trama com conflitos galáticos ao jeito da space opera e tropeçam num terreno que quer valorizar a ação sem ter acautelado boas ideias para a suster nem um orçamento para lhe dar corpo de forma condigna.

Quando arrancou, começou bem. E retomou um sentido de construção narrativa que valorizava tramas com um grau de complexidade e imaginação que estabeleciam ligações diretas com as memórias das séries “clássicas”, ou seja, o Star Trek original (o dos anos 60) e Star Trek: The Next Generation, que entrou em cena em 1987… Dividida em duas partes, a primeira temporada de Star Trek: Discovery, teve na sua “etapa” apresentada em 2017 um magnífico cartão de visita. Tal como sucedera com os dois “reboots” de J.J. Abrams no cinema, a nova vida em televisão de uma ideia nascida nos anos 60 parecia rejuvenescida, com energia e novas ideias… Mas agora, ao chegarmos a 2018, a segunda “tranche” de episódios (e ainda faltam dois para completar a temporada), está a dar-nos algo completamente diferente. Antigo e desinteressante…

E agora atenção que há spoilers… Quem não os quiser ler que fique por aqui…

Antigo? Sim, antigo. Apesar do aparato hi-tech da coisa e de toda uma atualização gráfica das premissas míticas da identidade do universo Star Trek, a segunda metade da primeira temporada não parece piscar o olho a heranças dos anos 60, mas antes a memórias que chegam de mais atrás. Mais concretamente dos anos 30, quando uma história em banda desenhada, criada por Alex Raymond, nos deu a conhecer as figuras em permanente conflito no planeta Mongo e, claro, um herói terrestre: Flash Gordon.

Caso se recordem, o final da primeira metade da temporada terminada num cliffhanger. Após uma sucessão de “saltos” usando a propulsão a esporos (sim, o melhor é verem mesmo a série para que isto faça sentido), a nave Discovery dá por si catapultada para território desconhecido já que nenhuma das estrelas e sistemas que localiza parecem estar nos seus mapas…

Na verdade, foram parar a um mundo paralelo no qual há réplicas se si mesmos, com os mesmos nomes e tudo, mas com uma diferença abissal: os humanos agora são os maus da fita e fazem vénias a uma imperatriz sem escrúpulos que é uma espécie de Ming, mas com uma sala do trono mais pechisbeque. Os povos desse universo lutam contra a imperatriz… Coisa que fica pela rama. E a nave Discovery, na qual as mesmas pessoas tomam lugares diferentes dos seus duplos, ruma à nave imperial, a ver se resolve a coisa e consegue voltar a casa…

As sequências de ação são pobres, com ares de série de canal barato, mesmo perante o mesmo tratamento de imagem que se mantém inalterado. Mas, para todos os efeitos, e até ver, a segunda parte da primeira temporada de Star Trek: Discovery tropeçou valentemente em lugares comuns da space opera e nem o propulsor de esporos parece capaz de salvar a coisa… A ver vamos como acontece nos próximos episódios. Mas uma coisa é certa, o tom vintage dos serials de Flash Gordon de outrora e até o filme de 1980 (com música dos Queen) tratam estes conflitos galácticos com uma dose camp leve, divertida e até empolgante que contrasta com a seriedade com desejo de vitaminas de ação destes novos episódios de Star Trek

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