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39 anos depois… finalmente em Lisboa

Texto: NUNO GALOPIM

Valeu a espera. Não foi exatamente o concerto com o melhor dos OMD, mas sim um muito competente “greatest hits” entremeado com canções dos seus discos mais recentes. Era natural que assim fosse. Foi uma festa para casa cheia e dança pela noite fora, deixando no ar um desejo de reencontro.

Foram 39 anos (para uma banda que completa os 40 de vida no mês de setembro). Trinta e nove anos de espera para uma atuação em Lisboa. E entre os rostos que enchiam a Aula Magna havia quem os tivesse contado e vivido na pele. O encontro – com promessa de regresso com banda completa – correu da melhor forma, respeitando os três vértices do triângulo que o vocalista Andy McKluskey lançou logo no início da atuação: novas cahções, velhas canções… e dança. Assim foi. Podia ter sido melhor? Sim, podia, com um alinhamento que valorizasse mais as suas obras-primas como fizeram em digressões recentes. Mas convenhamos que, para uma primeira visita, e com tão longa espera, um desfile de memórias em regime ‘best of’ era o mais desejado, num alinhamento que soube encontrar o modo de dosear as canções desta nova fase de vida dos OMD entre o que parecia um alinhamento de “greatest hits” no qual, de facto, foram poucos os episódios de sucesso maior da história da banda que ficaram de fora.

Em duo, apenas acompanhados por um teclado e um laptop por conta de Paul Humphreys e um baixo que ocasionalmente Andy McKluskey segurava nas mãos, os OMD visitaram Lisboa em 2018 com um programa que permitiu constatar que, contra o que é uma regra dominante, o regresso aos discos da banda após um hiato resultou numa recuperação clara da sua “voz” criativa e, convenhamos, juntou à sua discografia títulos bem mais interessantes do que aqueles que o grupo editou depois da segunda metade dos anos 80. Peças recentes como Isotype ou The Punishment Of Luxury (ambas do álbum de 2017) não foram assim compasso de espera para os que ali eventualmente esperassem por… mais velhos êxitos. Desenhados numa linguagem que traduz ecos do presente mas sabe herdar uma assinatura de identidade, estas (e outras) novas canções ajudaram a fazer do percurso desenhado pelo alinhamento uma viagem que soube cruzar tempos e não se esgotou assim no mais fácil consumo de nostalgia. Tínhamos assim pela frente uma banda viva, a juntar novos momentos à sua obra e mostrando um perfeito domínio das artes do palco, sobressaindo por um lado os incansáveis apelos à dança e comunhão de McKluskey e a elegância e serenidade de Humphreys. Este último, sem surpresa, ocasionalmente tomou o microfone para recordar clássicos como Forever (Live and Die) e Souvenir (que em Portugal foi um dos maiores êxitos da carreira do grupo).

O desfile de memórias foi impressionante, conseguindo a banda recuperar as marcas características das sonoridades originais das várias épocas revisitadas, não procurando pontos de vista de revisão, a partir do presente, dessas peças de outros tempos. Passaram por todos os seus álbuns dos oitentas – salvo Dazzle Ships (a única “falta” a anotar) – e chegaram mesmo a visitar, e por duas vezes, Sugar Tax (1991). O trio de recordações de singles de Architechture & Morality, que se escutou de seguida – Souvenir, Joan of Arc e Maid of Orleans – sugeriu quão magníficos terão sido os concertos nos quais a banda recuperou esse disco magistral de 1981, assim como o maios ousado Dazzle Ships de 83. Os êxitos da etapa de apelo mainstream (tanto a europeia como a norte-americana) fizeram o grosso das recordações, por ali passando Locomotion, Tezla Girls, Talking Loud and Clear, Secret, So In Love, If You Leave e o já acima referido Forever (Live and Die). Do passado mais remoto escutou-se o belo Messages e, a fechar a noite, o “rápido”, kraftwerkiano e, a seu jeito, muito punk single de estreia, Electricity… Que fez um belo fim de festa. Haja mais… Mas, depois da festa dos singles, venham as incursões pelos discos mais gourmet. E os OMD têm, aí por onde escolher.

PS. Boa escolha, a de Balla, para fazer a primeira parte.

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