Últimas notícias

E o vencedor vai ser…

Vamos apresentar, um a um, os candidatos ao Oscar de Melhor Filme… Sugestões que chegam a tempo de ter o trabalho de casa feito para a noite em que se saberá qual deles será o escolhido…

A madrugada de hoje assiste a mais uma cerimónia de entrega dos Óscares.

Como aperitivo aqui fica um olhar sobre os filmes que surgem nomeados para a categoria de Melhor Filme.

E os nomeados são… Chama-me pelo teu Nome, A Hora Mais Negra, Dunkirk, Foge, Lady Bird — A Hora de Voar, Linha Fantasma, The Post, A Forma da Água eTrês Cartazes à Beira da Estrada, todos eles já com passagem pelo circuito de salas português.

E aqui ficam, um a um, estes nove nomeados:

“Lady Bird”
de Greta Gerwig

Um dos encantos, talvez o maior encanto, de Greta Gerwig enquanto actriz é a forma como equilibra seriedade e leveza, sublinhando com ironia a “auto-importância” de um certo tipo de “juventude”. O que a distingue de Lena Dunham, mas mesmo assim a mantêm na descendência de um Woody Allen, por exemplo, é a compaixão que impede a ironia de se transformar em hipocrisia. Gerwig põe-se do lado das personagens, não acima delas.

Daí que não espante que o ponto forte da sua estreia enquanto realizadora seja a sua atenção ao elenco de personagens. Naturais e “exageradas”, elas devem ao cinema do citado Allen, ao de John Hughes, mas também ao dos realizadores com quem Gerwig tem trabalhado, nomeadamente Noah Baumbach. O tom das cenas cómicas deve igualmente a estes realizadores, mas com um aspecto que deve ser salientado: a “perspetiva” feminina por trás da câmara. Actriz a dirigir outra actriz, criou uma personagem feminina que, em idiossincrasia e charme, não deve aos “alter egos” de outros realizadores. Esta dimensão que parece autobiográfica encontra-se em vários aspectos do filme que são imbuídos de especificidade, sendo o principal o cenário. Sacramento, a cidade natal de Lady Bird, foi também a de Gerwig. Este é um filme com um sentido de lugar mais forte que outros dos nomeados na categoria de melhor filme que nomeiam o seu espaço no título (o de Martin McDonagh, por exemplo…).

Christine, que num gesto de rebeldia mudou o nome pelo qual responde para Lady Bird, é a adolescente prototípica, à qual Saoirse Ronan dá a espessura dramática e o carisma, e que muito justamente seria reconhecida com o seu primeiro Oscar para melhor interpretação (à terceira nomeação e apenas com 24 anos). Está bem acompanhada por Laurie Metcalf, a mãe, numa obra que é tanto sobre a passagem da adolescência à idade adulta como sobre a “relação” entre mães e filhas (outro aspecto que pode ter a sua dimensão autobiográfica). Nessa qualidade o final é, ao mesmo tempo, honesto e comovente, por deixar esta relação complexa “resolver-se” de forma agridoce.

Talvez por realizadora e actriz estarem ainda perto da idade da personagem o trabalho de criação e composição desta tenha tido este resultado. Certo é que Lady Bird é daquelas coisas raras na ficção: uma personagem que poderia muito bem saltar do ecrã e sentar-se ao nosso lado na sala de cinema. – Diogo Seno

“3 Cartazes à Beira da Estrada”
de Martin McDonagh

Foi o filme-surpresa na noite dos Globos de Ouro, que abre a época das premiações no cinema norte-americano que termina, inevitavelmente, com a cerimónia de entrega dos Óscares. E, de repente, 3 Cartazes à Beira da Estrada ganhava um lugar de destaque entre o lote de títulos sobre os quais as atenções acabam sempre por cair nesta altura do ano. Assinado pelo mesmo realizador de Em Bruges, o filme partilha com esse filme de Martin McDonagh, e apesar da diferença de geografias (e culturas retratadas), um elemento em comum: a sólida escrita do argumento (que é do próprio realizador).

O título do filme explica-se logo na sequência de abertura. Perante a constatação de que há três cartazes sem publicidade numa estrada secundária de uma pequena cidade no coração do Missouri (América profunda, portanto), uma mulher (interpretada por Frances McDormand) resolve fazer daquele espaço o “anúncio” à comunidade, e em particular ao xerife, sobre o facto de estar por resolver o caso da morte, por assassinato, da sua filha. O simples ato de lançar palavras (e o seu significado) naqueles três cartazes desencadeia um temporal de reações que o filme de Martin McDonagh trata (e lá voltamos ao argumento) com a arte de quem conta uma história trazendo surpresa e reviravolta quando e como menos se espera.

3 Cartazes à Beira da Estrada, que explora sobretudo a ideia de um retrato social sobre uma pequena comunidade rural, brilha também no plano da interpretação, sobretudo o papel de Sam Rockwell, um agente que não parece ser o mais dotado de inteligência e que tem numa cena ao som de Chiquitita, dos Abba, um dos momentos do filme. Um Óscar seria mais do que merecido. Frances McDormand, também nomeada para Melhor Atriz, dá conta do recado, apesar deste seu papel não se afastar muito de um modo em piloto-automático sobre o que há uns anos nos deu a ver em Fargo, dos irmãos Coen. – Nuno Galopim

“A Hora Mais Negra”
de Joe Wright

As memórias dos dias da II Guerra Mundial continuam a ser visitadas pelo cinema. E este ano lutam pelo Óscar de Melhor Filme duas longas metragens que observam, de ângulos diversos, um mesmo instante na história do conflito. Ambos levam-nos a 1940, num momento em que a Wehrmacht avançava rapidamente por território francês, encurralando milhares de soldados britânicos junto à costa da Normandia. A sua sobrevivência tornava-se então absolutamente vital para a defesa de uma eventual invasão por mar das ilhas britânicas. Ao mesmo tempo, em Londres, a queda de Chamberlain levava uma outra figura à chefia do governo. Uma figura pouco consensual, que o percurso que a história conheceria mais adiante transformaria num herói. Mas antes desse desfecho, era num clima de ansiedade que muitos viam a chegada de Churchill ao poder. E são esses os momentos que A Hora Mais Negra revisita.

Assinado por Joe Wright, que já visitara estes tempos conturbados em Expiação, o filme é quase um espelho, com sede em Londres, dos mesmos momentos que Christopher Nolan revisita no magnífico Dunkirk. Mais “convencional” do que Nolan, sem abdicar contudo das suas marcas de identidade autoral, Wright concentra o tutano deste olhar político no trabalho de interpretação da figura de Chrurchill por Gary Oldman (que certamente lhe dará o Óscar de Melhor Ator). O argumento toma algumas liberdades “históricas” no desenho de alguns jogos de bastidores. Mas consegue ajudar o realizador a ir além do mero registo de docudrama que por vezes assombra algumas recriações históricas. O todo não chega, contudo, para fazer desta Hora Mais Negra um filme maior na história das representações da II Guerra Mundial no cinema. – Nuno Galopim

“Chama-me Pelo Teu Nome”
de Luca Guadagnino

Baseado no romance homónimo de 2007 do escritor americano de origem egípcia André Aciman (cuja adaptação contou com a colaboração do quase nonagenário James Ivory), Chama-me pelo Teu Nome tem como cenário a paisagem estival do Norte de Itália, em 1983, e centra-se na relação de gradual aproximação entre Elio (interpretado pelo magnífico Timothée Chalamet, que obteve uma nomeação para um Globo de Ouro e merece, por direito próprio, ser nomeado para um Óscar), um adolescente no limiar da maioridade que se envolverá, num crescendo de emoção e tensão latentes, com Oliver (Armie Hammer, aqui no papel de um homem com uma idade substancialmente abaixo da sua), um académico americano que o pai do rapaz convida para passar uns dias na casa de campo idílica da família para o ajudar nas suas pesquisas científicas (relacionadas com arqueologia e a cultura greco-romana).

Invocando a herança de Bertolucci (o fervor do erotismo) e de Visconti (na relação com a música), mas também o perfume melancólico e nostálgico de James Ivory, Guadagnino filma esta história de um primeiro amor fugaz e da educação sentimental de um rapaz num estilo diverso do que empregou nos mais recentes Eu Sou o Amor (2009) e Mergulho Profundo (2015), mas sempre com um olhar delicado, belo e sensual (não só no sentido sexual e corporal, mas também captando de forma estimulante e viva o esplendor da natureza ao redor ou até através de pontuais notas gastronómicas ou pequenas tiradas de humor como se fossem condimentos para dar sabor a um cozinhado bem preparado e apaladado). Para tal efeito contribui também a extraordinária direção de fotografia de Sayombhu Mukdeeprom (colaborador regular nos filmes de Apichatpong Weerasethakul e responsável também pela imagem de As Mil e Uma Noites de Miguel Gomes), a que se junta ainda uma banda sonora que ajuda a aprofundar o tom de crescendo emotivo do filme (e na qual pontificam dois belíssimos originais de Sufjan Stevens e uma remistura de uma canção do seu The Age of Adz). – Nuno Carvalho

“A Forma da Água”
de Guillermo del Toro

Na sua carreira enquanto realizador, Del Toro já experimentou as diversas facetas do fantástico, muitas vezes cruzando-as na mesma produção. O seu percurso é tanto mais curioso pelo facto da sua imaginação ter capturado a atenção do grande público, onde outros cineastas de género ficam na sombra. Ainda mais interessante tendo em conta que Del Toro não se escapa ao lado mais perturbante e violento deste “género”. É, aliás, essa devoção ao lado “negro” do fantástico que garante a distinção da sua obra. Chegados à décima iteração do seu universo, encontramos novamente o fascínio por criaturas híbridas e “monstruosas” e o oculto e a “história alternativa”.

A Forma da Água parece, inicialmente, não apenas um mash-up de influências mas uma revisão da matéria dada da filmografia do realizador. E se as qualidades de estilista visual de Del Toro ficam bem evidentes de início, a emoção tarda a chegar. Vem, finalmente, por meio da esplêndida actriz que é o centro deste filme, Sally Hawkins, a protagonista muda, que carrega um oceano de desejo na sua face. Del Toro, o fabulista, sabe o que perde quando faz este cinema, e também o que se ganha. Novamente, o vilão (embora interpretado pelo grande Michael Shannon) não passa de uma caricatura, como tinha sido o general franquista de Sergi López em O Labirinto do Fauno.

O cinema de Del Toro é “arquetípico”, faz-se no balanço entre “bem” e “mal”, é de fábula. E aqui, a fábula é tanto mais tocante porque é trespassada por um palpável amor pelo cinema (e os seus géneros clássicos) e pelos outsiders. Nos ritmos da montagem, sobretudo nas cenas iniciais, há algo de musical. E este acaba por irromper mais tarde no filme, numa das cenas mais bonitas e arriscadas – porque dada ao ridículo. As personagens não estariam deslocadas num melodrama – e tal como num bom melodrama, na sua simplicidade elas comovem – e toda a atmosfera de filme de espionagem é competentemente executada. Mas sobretudo fica o gesto de um realizador que não se furta à estranheza e mesmo ao “grotesco”, para falar de algo intangível como o sentimento que alimenta os seus protagonistas: este é, afinal, o filme onde uma mulher se apaixona por um ser anfíbio e com ele consuma essa paixão.

No papel, nada de propriamente novo em comparação com, por exemplo, King Kong, ou A Mosca. O que distingue A Forma da Água é pegar numa premissa de série Z e com ela falar de forma poética, estranha, sobre erotismo, paixão e amor, tornando mais explícitas emoções que, no cinema de outros tempos, eram apenas sugeridas, e dar-lhes um final feliz. Que no cinema mainstream a estranheza ainda seja possível nesta idade audiovisual que já viu de tudo e a sensibilidade saia tocada, é um dos sucessos deste filme. – Diogo Seno

“The Post”
de Steven Spielberg

The Post é uma cuidada e irrepreensível recriação do “caso” da divulgação dos chamados “Pentagon Papers”, um relatório sobre o envolvimento militar norte-americano depois da II Guerra Mundial, que cruzava as administrações de Truman, Eisehnower, Kennedy e Johnsson e rebentava, ao ser revelado, nas mãos de Nixon. Mais do que um simples filme sobre confrontos entre o jornalismo e política, The Post dá conta de como as distâncias por vezes são curtas e os dois lados têm afinal ligações e afinidades que, contudo, podem não impedir que a missão de relatar a verdade (que cabe ao jornalismo) se sobreponha a laços que podem vir de trás… Afinal, e no caso desta história centrada na redação do Washington Post, era tudo gente da mesma cidade…

É evidente que foi a urgência de agir perante um momento em que os EUA se vêem sobre uma administração que toma a imprensa como “o” inimigo que levou Steven Spielberg a lançar-se sobre The Post, ao mesmo tempo que avançava a criação de Ready Player One, um outro filme seu, certamente completamente diferente, que não tarda nada estará aí…

Claramente contextualizado na apresentação dos acontecimentos que precedem a trama e claro na sua exposição, atento ao detalhe (a máquina de escrever, os caracteres em chumbo a fazer uma primeira página, o edifício do jornal a tremer quando a rotativa arranca), The Post define entre o par Meryl Streep (a proprietária do jornal) e Tom Hanks (o diretor) a linha mestra de um subtexto que acompanha a trama, com eles levando-nos a debater (como espectadores) as relações entre o poder e a imprensa, assim como entre o papel dos jornalistas e a administração dos jornais. Um filme para todos e urgente. Para que se entenda porque é fundamental que não deixe de haver bom jornalismo. Sério e independente.

“The Post” está nomeado para Melhor Filme e para Melhor Atriz (Meryl Streep) – Nuno Galopim

“Foge”
de Jordan Peele

Foge, realizado pelo estreante Jordan Peele, até aqui um rosto conhecido sobretudo pela sua proximidade com o universo da comédia (enquanto ator, mas também como argumentista), tem sido um dos filmes mais falados da temporada americana. Se é verdade que todo o cinema é um reflexo do mundo do seu tempo, não deixará de impressionar a forma como o filme de Peele, ainda para mais sendo uma primeira obra, tem assumido um papel de destaque na discussão pública em torno de questões raciais, sobretudo no contexto norte-americano. Em certa medida, Foge procura ambientar no cinema de género um conjunto de ansiedades que têm vindo a ser, de uma forma ou de outra, articuladas por movimentos como o #BlackLivesMatter e que têm tido um papel decisivo em trazer para primeiro plano vozes e subjectividades, que de outra maneira não têm encontrado representação no espaço público – uma ausência que se faz sentir quer no campo político quer no domínio estético.

No plano cinematográfico, um dos traços mais marcantes do filme de Peele passa pelo cruzamento dessa tal sensibilidade própria da comédia, com outros géneros como o horror e a ficção cientifica, ou o thriller – uma justaposição particularmente fértil enquanto estratégia de adopção de uma pose declaradamente satírica. O imaginário de Foge até poderá não ser particularmente rico em situações dramáticas, mas é esse lado mais esquemático e “frontal” que tem sido pretexto de acesa discussão: uma jovem branca oriunda de uma família abastada economicamente, decide apresentar o namorado – um jovem fotógrafo negro – aos seus pais, num fim-de-semana estilo reunião de família, numa zona rural. Nem tudo é o que parece, mas é também pela forma com que Peele dá a volta a um “liberalismo de aparências” que Foge mais surpreende.

Tudo somado, a impressão com que se fica é que Foge é a nomeação mais politizada da presente edição dos Óscares.

Foge conta com quatro nomeações para os Óscares: Melhor Filme; Melhor Realizador; Melhor Ator (Daniel Kaluuya); e Melhor Argumento Original (Jordan Peele). – José Raposo

“Dunkirk”
de Christopher Nolan

Recebido por cá com um entusiasmo tépido, Dunkirk talvez seja, contudo, o melhor filme de Christopher Nolan. É um relógio suíço de precisão técnica (apesar de retratar uma situação de caos e de pânico insustentável) e ergue um edifício cinemático que suscita no espectador uma sensação de solidez, consistência e competência só ao alcance de quem tem mão artística segura para dar corpo a um espetáculo visual que, não sendo exibicionista, seduz pela sua dimensão épica (embora seja um épico relativamente estático por comparação com outras obras que retratam cenários bélicos) e pelo rigor (ainda assim ligeiramente estetizante, apesar do lastro existencial pesadíssimo) e organicidade da orquestração.

O “pesadelo logístico” de retirar quase meio milhão de soldados aliados da praia de Dunquerque, naquela que ficou conhecida como a Operação Dínamo, em 1940, dá origem a uma experiência realmente “imersiva” em que o espectador tem de estabelecer continuidade e articulação perante a sua estrutura inteligentemente tripartida, que nos dá perspetivas da terra, do ar e do mar.

Dunkirk tem oito nomeações para os Óscares: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Fotografia (Hoyte Van Hoytema), Melhor Montagem (Lee Smith), Melhor Montagem de Som (Richard King e Alex Gibson), Melhor Mistura de Som (Mark Weingarten, Gregg Landaker e Gary A. Rizzo), Melhor Direção de Arte (Nathan Crowley e Gary Fettis) e Melhor Banda Sonora Original (Hans Zimmer). – Nuno Carvalho

“Linha Fantasma”
de Paul Thomas Anderson

Linha Fantasma: título enigmático para um filme em suspenso que nunca revela abertamente as suas intenções, que fica sempre aquém daquilo que promete mostrar, daquilo que quer ser. Filme sobre a inspiração artística? Sobre a relação entre criador e musa? Ou antes um filme sobre os objectos e a alma das coisas vivas, do fascínio quase alucinante sobre as coisas de superfície, do exercício do gosto enquanto manifestação de uma vontade delirante perante a impermanência do mundo? Tem tanto de deslumbramento quanto de evasão – o novo filme de Paul Thomas Anderson transporta consigo uma aura de fascínio e mistério que o tornam numa das obras mais singulares de entre os nomeados para melhor filme naquela que será a 90ª edição dos Óscares.

O filme acompanha a rotina da House of Woodcock, uma casa de alta costura da Londres dos anos 1950 que tem no seu centro Reynolds Woodcock (interpretado por um Daniel Day-Lewis invulgarmente contido, numa interpretação sugestivamente “interiorizada” – ele que tinha abandonado a sua carreira enquanto ator, e que agora regressa para um último papel…até ao próximo, provavelmente), um designer de moda absolutamente dedicado à sua profissão. É uma figura imponente e respeitada, mas com uma fragilidade muito escondida, como uma cicatriz de um passado distante: numa das sequências mais essenciais do filme vemos Reynolds a falar sobre a sua falecida mãe com uma reverência revestida com a textura de um trauma.

Alma (um nome que diz tudo), uma empregada de um restaurante que se cruza com a vida de Reynolds graças à fortuna do acaso, é o corpo-objecto de um amor que daí em diante será uma presença impulsionadora de uma forma de estar no mundo, onde a arte parece querer ocupar o lugar da morte.

É o filme de Paul Thomas Anderson que dialoga de forma mais explicita com a constelação de referências cinematográficas que lhe servem de inspiração – como serão o exemplo de Hitchcock (sobretudo o de Rebecca) e David Lean (o de Brief Encounter mas também o de The Passionate Friends), ou Michael Powell (The Red Shoes). Todos evocados (invocados?), com a reverência de uma fantasmagoria, ou não fosse este filme também um espelho do realizador enquanto criador.

Linha Fantasma tem seis nomeações para os Óscares: Melhor Realizador, Melhor Filme, Melhor Actor Principal (Daniel Day-Lewis), Melhor Actriz Secundária (Lesley Manville), Melhor Banda Sonora Original (Jonny Greenwood), e Melhor Guarda-Roupa (Mark Bridges). – José Raposo

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: