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Um disco que traduz o “state of the art” da pop a meio dos oitentas

Texto: NUNO GALOPIM

Um dos três títulos fundamentais do catálogo da ZTT Records – os outros são dos Art of Noise e Frankie Goes To Hollywood -, o álbum de estreia dos Propaganda conhece nova reedição 33 anos depois.

Editora com importante obra e impacte na década de 80, a ZTT Records foi espaço de afirmação para uma visão estética liderada por Trevor Horn, moldada depois por lógicas de comunicação criadas pelo jornalista Paul Morley. Foi casa de vários artistas e muitos discos, tendo como “santíssima trindade” as edições em 1984 de Who’s Afraid of The Art Of Noise dos Art Of Noise e Welcome To The Pleasuredome dos Frankie Goes To Hollywood e, em 1985, do álbum de estreia dos Propaganda, A Secret Wish. O melhor da história da editora está nestes três discos que ajudaram a sublinhar uma visão pop grandiosa e sofisticada (na composição e, sobretudo, produção) que traduz um dos mais marcantes momentos da história da música popular urbana europeia dos oitentas.

O quarteto alemão Propaganda já tinha chamado atenções em 1984 com um épico de alma sinfonista em Dr. Mabuse, single de estreia que recebia um dos primeiros telediscos assinados por Anton Corbijn. Nascidos em 1982 em Düsseldorf, juntando entre outros um elemento do colectivo industrial Die Krupps e um músico com formação clássica, os Propaganda chegaram à ZTT pelas mãos de Paul Morley, acabando o seu álbum por ser contudo produzido por Steve Lipson, um dos engenheiros de som da equipa de Trevor Horn que, então, tinha em mãos a gravação do álbum de estreia dos Frankie Goes To Hollywood, a banda de maior sucesso da editora.

Lipson seguiu contudo as regras da casa e assegurou que, em A Secret Wish, os Propaganda criassem um monumento pop feito de sintetizadores e elaborada visão sinfonista. Entre peças que desafiavam a forma da canção (como Dr. Mabuse ou Dream Within A Dream, este usando as palavras do poema homónimo de Edgar Allan Poe), flirts mais evidentes com a pop (em Duel ou P-Machinery) e uma versão de Sorry For Laughing, dos Jospeph K, A Secret Wish revelava uma visão característica de um tempo em que as novas possibilidades do estúdio (daí o relativo protagonismo do produtor no todo) se materializavam numa ideia nova de sofisticação na pop.

O álbum acabaria por representar um final de ciclo para a banda (com epílogo em Wishful Thinking, disco de remisturas lançado pouco depois). A banda separou-se pouco depois. Claudia Brüken gravou primeiro um disco com Thomas Leer no duo Act, depois editou a solo. Com nova formação, os Propaganda lançaram um segundo (e inconsequente) álbum em 1990…

Trinta e três anos depois de A Secret Wish (disco que já conheceu várias reedições), uma edição comemorativa do álbum junta ao disco um booklet que conta a sua história. Apresentado como “Deluxe Edition”, esta reedição permite o reencontro com uma ideia pop que traduz (com bons resultados, o que nem sempre aconteceu naqueles dias) um tempo de procura de novas formas no sentido oposto ao do culto da simplicidade que, dez anos antes, havia feito a revolução punk.

“A Secret Wish”, dos Propaganda, está disponível em LP e CD e nas plataformas digitais, numa reedição pela BMG



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