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E que tal um grande disco pop?

Texto: NUNO GALOPIM

Ao terceiro álbum os Django Django desviam a busca de referências para as suas propostas art pop dos sessentas para os oitentas. E em “Marble Skies” apresentam um dos mais cativantes álbuns de canções pop dos últimos meses.

Com primeiros sinais dados desde 2009, este quarteto com berço em Edimburgo fez as malas e rumou a Londres para tentar a sua sorte. Na bagagem traziam as guitarras, o baixo, a bateria e teclados, na verdade, as ferramentas mais clássicas ao serviço dos últimos quarenta anos na música pop. Animados com alma indie, e com um gosto pelas heranças do psicadelismo, mostram nas canções do seu contagiante álbum de estreia, editado em 2012, um interesse igualmente nutritivo pela música de dança e um gosto pelas cores que chegam de latitudes mais quentes que as que habitualmente fazem a meteorologia britânica.

Com nome que cita o mítico Django Reindhardt, guitarrista que ajudou a escrever a história do jazz, porém sem procurem na sua música uma qualquer carga jazzística, os Django Django desenham, desde que se deram a escutar, canções que respiram o viço e entusiasmo, entre uma amálgama de referências que tanto colhe ideias junto da pop com alma dançante como dos ecos das canções que lembram outras etapas na história da grande aventura da canção pop.

Depois de um segundo álbum editado em 2016 (Born Under Saturn) – ao qual talvez deva agora prestar a atenção que lhe não dei na altura – eis que chegam a 2018 com um disco que traduz de forma brilhante uma deliciosa síntese de encontros das marcas da sua identidade indie com ecos de referências maiores dos oitentas. O modo de pensar a canção dançável, com refrão irresistível, que é uma das características mais vincadas da obra dos Duran Duran, tem aqui vários exemplos de descendência. E se nesse modelo da canção pop, de arranjo elegante e elaborado, com apelo à dança e refrão certeiro os Django Django encontram aqui o seu ponto de partida, é depois entre gramáticas indie e outros temperos que nasce uma bela coleção de canções.

Se os sessentas eram presença notória da medula dos dois primeiros álbuns dos Django Django, é pelos oitentas que caminhamos quando caminhamos agora entre as faixas de Marble Skies, por vezes acabando a sentir aromas com origem mais evidente. Assim acontece no belíssimo In Your Beat, que sugere um festivo encontro entre uns Heaven 17 e os Duran Duran, com os Tears For Fears dos dias de The Hurting a ajudar a fazer a festa. Por seu lado, Tic Tac Toe parece recuperar os caminhos em tempos seguidos pelos franceses Indochine… Já em Real Gone cruzam-se ecos de eletrónicas cold wave com uma canção afinal quente que acaba até a piscar o olho aos bleeps da revolução acid house de finas dos oitentas. Poderíamos continuar a citar referências. Mas a verdade é que aqui alimentam canções que acabam por somar em conjunto um corpo coeso e entusiasmante.

Com alguns colaboradores – da baterista dos Metronomy à voz de Self Esteem, dos Slow Club – os Django Django apresentam ao seu terceiro álbum um delicioso monumento ao poder de encantamento da canção pop. Belo disco!

“Marble Skies”, dos Django Django, está diosponível em LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da Because Music Ltd. ★★★★



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