Últimas notícias

Dez canções que contam memórias de 1986

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

A viagem a 1986 que podemos ver na série ontem estreada na RTP1 pode fazer-se com vários complementos, um deles na forma de canções. Aqui vão aparecer, uma a uma, dez que nos levam a esse ano…

Do mainstream ao alternativo, das guitarras às eletrónicas, das baladas aos desafios à pista de dança… A história de 1986 conta-se em canções tão diferentes entre si como as que fazem o era uma vez de qualquer outro ano.

No momento em que chega aos ecrãs da RTP1 a série “1986” (estando todos os episódios já disponíveis na plataforma RTP Play), fazemos aqui uma breve viagem por dez canções entre as muitas que ajudam a contar as memórias desse ano.

Umas terão a ver com a série e as suas personagens. Outras apenas com o ano de que se fala. Mas todas elas são de 1986…

“Don’t Leave Me This Way”, Communards + Sarah Jane Morris
Tendo abandonado os Bronski Beat pouco depois da edição do seu álbum de estreia – The Age Of Consent (1984) – o vocalista Jimmy Sommerville juntou-se ao pianista Richard Coles para dar vida a uma nova banda. Com um cunho ativista os Communards estrearam-se com o single You Are My World, que passou longe de grandes atenções, tal como sucedeu com o seguinte Disenchanted. O mesmo não se passou com o seu terceiro single, Don’t Leave Me This Way, uma versão de um tema originalmente gravado em 1975 por Harold Melvin & the Blue Notes.

“C’est Comme Ça”, dos Les Rita Mitsouko
Um dos nomes mais marcantes da pop francesa (sobretudo nos anos 80, embora tenham mantido carreira até à morte de Fred Chichin,em 2007), os Les Rita Mitsouko tinham chamado atenções com um álbum de estreia lançado em 1984 (do qual extraíram, com sucesso, o single Marcia Baila). Em 1986 editaram Le No Comprendo, o primeiro de dois discos que gravaram com propdução de Tony Visconti. E depois do anguloso Andy, o desconcertante C’est Comme Ça revelou-se uma das canções mais desafiantemente saborosas da colheita de 1986.

“Papa Don’t Preach”, Madonna
Uma nova abordagem na composição, novas opções instrumentais nos arranjos, um tom mais grave na voz e um quadro temático que começou a refletir uma visão crítica mais interventiva fizeram do álbum de 1986 de Madonna True Blue uma peça de referência na história da música pop.As canções refletem sobre várias temáticas, revelando primeiros sinais de uma consciência social que ganharia espaço regular nos discos, atuações e entrevistas de Madonna. Um dos exemplos mais claros surge em Papa Don’t Preach que fala sobre a gavidez em adolescentes.

“Kiss”, Prince
Entre 1999 e Sign of The Times (em 1987), não há um disco de Prince que não seja uma pérola maior. Editado em 1986, Parade surge a meio dessa série de álbuns todos eles feitos de raras qualidades. E, tal como o fora Purple Rain (1984), representa a banda sonora de mais uma investida no cinema, desta vez contudo com Prince a assumir a realização (e, naturalmente, o papel protagonista). O single de apresentação, Kiss, que se revelaria num dos seus clássicos da fase minimalista, mostrou uma vez mais a capacidade de Prince em encontrar – tal como havia feito em When Doves Cry – o aperitivo mais inesperado e improvável para um caso de sucesso.

“Walk Like an Egyptian”, The Bangles
Esta é uma canção com uma pré-história que precede o momento em que chegou às mãos das Bangles. O seu autor começou por dá-la Toni Basil, depois a Lene Lovich (que chegou mesmo a gravar uma maquete). Mas foi com as Bangles que o tema chegou a estúdio. O grupo, formado em Los Angeles em 1981, tinha já editado um primeiro álbum em 1984 e conseguira, em janeiro de 1986, cativar atenções com Manic Monday, Mas foi ao som deste Walk Like an Egyptian que somou um primeiro êxito de escala mundial.

“(You Gotta) Fight for Your Right (To Party!)”, Beastie Boys
Nascidos em terreno hardcore punk, tendo chegado a atuar em início de carreira em palcos como os do CBGB ou Max’s Kansas City, os Beastie Boys começaram cedo a assimilar outros sinais de revolução que foram cativando atenções em Nova Iorque na primeira metade dos oitentas. Em 1986 o seu álbum de estreia Licence To Ill traduzia claramente já as marcas de interação do hip hop, tanto que foi o primeiro álbum de rap a figurar no top da tabela da Billboard. Depois de alguns singles quase invisíveis, este hino fez-se escutar à escala global.

“Sometimes”, Erasure
Um dos fundadores dos Depeche Mode, que abandonou cedo para criar os Yazoo, Vince Clarke levou anos até encontrar o parceiro de trabalho ideal, tendo ainda passado pelo pontual projeto Assembly e por uma breve parceria com Paul Quinn antes de achar a voz de Andy Bell. Porém, à primeira, só eles o entenderam já que Wonderland, álbum de estreia dos Erasure, ficou muito aquém dos três LP que, antes, Vince tinha já criado. Foi com Sometimes, primeiro single de um álbum que surgira apenas em 1987, que o mundo descobriu os Erasure.

“Rock Me Amadeus”, Falco
Dois anos depois de Milos Forman ter vincado, pelo cinema, com Amadeus, o valor icónico de Mozart na cultura popular, o austríaco Falco vincou mais ainda essa mesma referência com uma canção que se tornou num dois maiores êxitos à escala global desse ano. O músico tinha já na sua obra um hit internacional com Der Kommissar (que MC Hammer “samplaria” depois em Can’t Touch This). Mas foi com Rock Me Amadeus que conheceu o seu momento de fama maior.

“Sledgehammer”, Peter Gabriel
O single que foi cartão de visita do álbum So não só representou o maior êxito da obra de Peter Gabriel a solo como assinalou um momento maior na história do teledisco. E vale a pena sublinhar aqui que, por volta de 1986, e face ao sucesso da MTV, a criação de vídeos musicais tomara um papel determinante nos planos de promoção musical. Sledgehammer herda por um lado a carga das memórias do som da soul dos sessentas (sobretudo da “escola” Stax). Mas ao mesmo tempo junta a modernidade da produção em estúdio. Isto sem esquecer as técnicas de animação usadas no teledisco.

“Panic”, The Smiths
Este foi o primeiro de um conjunto de singles que os The Smiths lançaram entre 1986 e 87 e que não figuraram nos alinhamentos de qualquer álbum de estúdio. Correspondem por isso ao intervalo entre The Queen is Dead e o derradeiro LP Strangeways, Here We Come. Panic é um olhar sobre a música pop de então, com a qual Morrissey não se relaciona e na qual não se reconhece. E deixa uma clara alusão à sua visão sobre a DJ culture de então.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: