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2001: a odisseia de uma banda sonora

Texto: NUNO GALOPIM

Da música de Richard e Johann Strauss, Ligeti ou Katchaturian que as imagens mitificaram à história de uma partitura deixada na gaveta, a música de “2001: Odisseia no Espaço” é uma aventura que teve tanto de visão como de teimosia.

Ninguém vê 2001: Odisseia no Espaço sem sair da sala de cinema com uma relação diferente com a música que escuta durante o filme. Tal como Morte em Veneza de Visconti criou um corpo de imagens que hoje inevitavelmente associamos ao adagietto da Sinfonia Nº 5 de Mahler ou Apocalypse Now de Coppola deu nova vida à Cavalgada das Valquírias de Richard Wagner, também o 2001 de Stanley Kubrick inscreveu a sua música num espaço de relacionamento inevitável entre o som e as imagens. Do Also Spracht Zharathustra de Richard Strauss (que escutamos em diversos momentos, perante a presença do monólito, uma delas em cenário pré-histórico) ao belíssimo Atmosphéres de Ligeti (que nos acompanha com o espaço por fundo), passando pelo Danúbio Azul de Johann Strauss, naquele momento em que uma nave “dança” em torno de uma estação orbital, a ligação é tamanha que não nos abandona mais, mesmo quando, num outro contexto, somos confrontados com estas mesmas obras musicais. Acrescente-se ainda a belíssima presença da música de Katchaturian, quando iniciamos a etapa que nos conduz a Júpiter.

A história da grande relação de Kubrick com a música não se esgota neste filme, podendo ser evocado o trabalho de Wendy (então Walter) Carlos em A Laranja Mecânica ou o de Jocelyn Pook em De Olhos Bem Fechados como outros exemplos de uma atenção que não procurava no som um mero adorno cénico.

Em 2001: Odisseia no Espaço Kubrick definiu contudo um momento ímpar na história do cinema. E a história da utilização desta música decorre de um pedido dos estúdios MGM para visionamento de imagens de uma produção que se começava a alongar, tendo o realizador usado alguma música retirada de gravações em disco para a montagem de trabalho que então apresentou em 1966. A verdade é que Kubrick encontrou uma das vozes do filme nas ligações entre som e imagem dessa montagem de trabalho. E, sem que o compositor Alex North soubesse, acabou por não usar uma única nota da partitura orquestral que este compusera para o filme. Conta-se que North só soube desta opção do realizador na noite da estreia do filme.



Três capas de edições da banda sonora do filme 2001: Odisseia no Espaço. A primeira corresponde à edição original, no formato de LP, lançada em finais dos anos 60. A segunda representa um dos lançamentos em CD, já nos anos 90. A terceira corresponde à primeira gravação da partitura orquestral criada por Alex North (não usada no filme e desde então arquivada), apresentada finalmente em disco pela Varese Sarabande em meados dos 90.

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