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O circo mágico de Cosmo Sheldrake

Texto: NUNO GALOPIM

O álbum de estreia de Cosmo Sheldrake caminha entre um universo de surpresas e desejo de descobertas que lembra o tom desafiante dos primeiros discos de Owen Pallett. Este é um nome a anotar entre os novos estetas da canção popular que gosta de viver longe das tendências do momento.

Imaginem um local feito de sons onde se cruza o gosto por ecos de genética folk que escutámos nuns Fleet Foxes ou Beirut, o interesse na exploração do potencial da diversidade dos timbres de instrumentos que transcendem as rotinas mais habituais em terreno pop/rock, um conhecimento da arte do arranjo como estratégia determinante no arrumar das ideias, uma visão muitos pessoal do modo de entender cada canção como parte de uma história (ou ambiente) que se conta e um encantamento que pode parecer coisa de circo mágico. É por aí que podemos encontrar algumas pistas para, aos poucos, chegarmos a uma das mais invulgares e cativantes entre as estreias em álbum deste ano. Chama-se Cosmo Sheldrake (nome seu mesmo, sem maquilhagem de pseudónimos envolvida), é inglês, tem 28 anos, e é nome a descobrir.

A história de vida do músico ajuda a explicar o incrível cocktail de acontecimentos que se cruzam nesta música. Cosmo tem trabalhado sobretudo na escrita de música para teatro (entre outras salas passou já pelo londrino Old Vic). Participa frequentemente em workshops dedicados a jovens músicos. E carrega na história da família uma educação que envolveu profissionais de biologia e um conhecimento de tradições de canto vindas da Mongólia. Parece coisa criada por argumentista, certo? Mas tudo indica que seja mais verdade do que ficção.

Houve dois EP a preceder a edição deste álbum. Foram eles The Moss em 2014 e Pelicans We em 2015… Apesar das marcas de identidade que o moldam (e são bem vincadas e únicas), há na música de Cosmo Sheldrake alguma familiaridade com o sentido de demanda de novos caminhos para a canção popular como os que Owen Pallett assinou, por exemplo, no magnífico He Poos Clouds (editado ainda como Final Fantasy) ou a compositora Anna Meredith no mais recente Varmints. Estamos, portanto, entre mais um esteta que traça as suas rotas e destinos, independentemente das tendências e eventuais fronteiras que possa ir encontrando pelo caminho.

“The Much Much How How and I”, de Cosmo Sheldrake, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Transgressive. ★★★★


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