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18. Chavela Vargas (1961)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas mais habituais. Foi editado em 1961 assinalando o arranque da discografia de Chavela Vargas, abrindo portas à futura visibilidade internacional da canção ‘ranchera’ mexicana.

Apesar das origens rurais mexicanas entre as décadas de 20 e 30 do século XX, cativando originalmente um público socioculturalmente mais desfavorecido, foi em ambiente urbano que, mais adiante a canção ‘ranchera’ ganhou outras plateias e, consequentemente, uma expressão discográfica numa geografia bem para além daquela que antes conhecera. A canção, tradicionalmente cantada por homens, veiculando as palavras um ponto de vista masculino, teve contudo em Chavela Vargas (1919-2012) uma das suas mais notáveis vozes. Os jogos de ambiguidade que vincaram a diferença, sublinharam traços de identidade que moldaram tanto a figura como a carreira, e que, juntamente com as capacidades interpretativas, um importante corpo de canções e uma vida atravessada por episódios difíceis (dos quais deu conta em Y si quieres saber de mi pasado, autobiografia publicada em 2002), fizeram da cantora um ícone que se fez referência.

De seu nome Isabel Vargas Lizano (Chavela é como um diminutivo de Isabel), nasceu em San Joaquín de Flores, na Costa Rica, em abril de 1919. Aos 17 anos, e sem oportunidades de trabalho por perto, migrou para o México onde acabaria por se estabelecer definitivamente e, mais tarde, obter mesmo a nacionalidade. Começou contudo por cantar na rua antes de encetar uma atividade como profissional do meio. Os seus modos e imagem, que desafiavam códigos normativos de identidade, começaram a ter expressão igualmente no seu jeito de abordar e a si moldar a canção ‘ranchera’, lançando bases de uma carreira que a fez andar pelos palcos e pelos discos até depois dos noventa anos e que inclusivamente a levou ao cinema através de realizadores como Pedro Almodóvar ou Alejandro Gonzalez Iñarritu.

No final dos anos 50 a voz de Chavela Vargas começou a cativar atenções numa altura em que cantava habitualmente em salas de Acapulco, que se tornara um destino turístico com dimensão internacional. E na alvorada dos anos 60 chega finalmente aos discos, estreando-se com um par de álbuns em 1961, ambos registados sob a chancela de recomendação de José Alfredo Jiménez, uma figura de referência neste universo da canção mexicana. Além de Noche de Boemia, o seu primeiro ano de vida discográfica integra o álbum simplesmente chamado Chavela Vargas, muitas vezes referido como Con el Cuarteto Laura Foster (no qual surge uma primeira gravação sua para o clássico La Llorona), disco que lançou as bases de uma visibilidade internacional da canção ‘ranchera’.

“Con el Cuarteto Laura Foster” teve primeira edição em LP no México em 1961. Uma primeira edição europeia ganhou forma em Espanha em 1967, embora com uma capa diferente. A capa original seria retomada por várias edições locais mais tarde, com a chegada do disco ao suporte de CD em 2007.

Da discografia de Chavela Vargas vale a pena descobrir álbuns como:
“Noche Boemia” (1961)
“La Llorona” (1993)
“En Carnegie Hall” (2004)

Se gostou, experimente ouvir:
José Alfredo Jiménez
Lola Beltrán
Lila Downs

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