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Quem é Jain, a (boa) surpresa do NOS Alive 2018?

Texto: NUNO GALOPIM

Entre os muitos que passaram pelo primeiro dia de concertos no Passeio Marítimo de Algés, a francesa Jain cativou atenções com uma pop de sabor multicultural que traduz, de forma luminosa, um mundo aberto à diversidade que contrasta com um discurso de medo e ódio que anda por aí.

Apesar dos reencontros – e ontem houve muitos e bons – uma jornada festivaleira dá sempre espaço à descoberta e, muitas vezes, é por aí que começa o dia seguinte de quem ali a fez: quem era afinal aquele artista ou banda que nos deixou surpreendidos?… Ontem, entre várias possíveis descobertas, houve uma que registei com entusiasmo: a da francesa Jain. Quem é, afinal Jain (ler “jane”, à inglesa) que, com um segundo álbum agendado para sair em finais de agosto, pode mesmo ficar na história pop de 2018?

A coleção de referências e sons que passa pelas canções que apresentou no NOS Alive conta parte da sua história geográfica. Natural de Toulouse, viveu a infância e parte da juventude entre o Dubai e a República do Congo. Foi em Point Noite, pequena cidade na República do Congo, que fez primeiras canções numa etapa em que conviveu com um grupo de amigos onde havia rappers (que ela mesma notou que queriam sobretudo seguir caminhos semelhantes aos americanos) e também quem a apresentasse ao universo das batidas e dos loops. As relações com os lugares e as suas músicas ganhou novas pistas quer quando viveu, depois, no Abu Dhabi quer quando, apenas em viagem, passou por lugares como a Índia, Jordânia, África do Sul, Madagáscar, Austrália ou os EUA. Essas somas de experiências acabariam por definir o caminho da sua vontade em trabalhar música quando se instalou (mais demoradamente) em Paris, para concluir uma formação em artes. E quando as canções começaram a surgir, tinham todos estes mundos em si.

Depois de primeiras experiências nas quais a relação com a guitarra a mostravam ainda perto dos modelos mais clássicos dos singer-songwriters, em 2016 o álbum de estreia Zanaka revelava já sinais evidentes de personalidade tanto da autora como da intérprete. Pop na essência, o disco assimilava tanto pistas através das ferramentas eletrónicas usadas (não as únicas ali empregues, sublinhe-se) como, depois, nas referências musicais e temáticas que estabeleciam relações emocionais, sobretudo no plano das suas vivências de juventude ou celebrando em Makeba a memória de uma figura marcante na história da canção popular africana, o álbum abre contudo espaço a cruzamentos com outras referências, celebrando luz e diversidade num corpo que celebra o mundo cultural sem barreiras em que vivemos no século XXI mesmo sem que, como no caso de Jain, tenhamos passado por estes ou aqueles lugares.

Jain tem um segundo álbum na linha do horizonte, servindo os singles Alright e Star, ambos lançados já este ano, o papel de cativantes cartões de visita. Ambas as canções sublinham caminhos sugeridos no álbum de estreia, talvez sugerindo um foco mais direcionado para as eletrónicas sem, contudo, perder diversidade nos timbres, nos ritmos, na luminosidade (que se mantém coisa de cores quentes). Star, em particular, vinca um tom festivo que pisca o olho a uma assimilação garrida de ecos do techno e, vocalmente, soma pistas tanto entre a pop como num modo depurado de aceitar heranças do rap… Vale a pena estarmos atentos ao disco que aí vem.

Aqui ficam dois temas do novo disco e, pelo meio, Makeba, do álbum de estreia de Jain.



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