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O tempo tratou bem os Cowboy Junkies

Texto: NUNO GALOPIM

Trinta anos depois do histórico “The Trinity Sessions” o quarteto canadiano que ajudou a desenhar a ideia do que seria o alt-country edita o seu melhor álbum desde esses tempos em que cativou muitas atenções.

Foi há precisamente 30 anos que, com o seu segundo álbum, The Trinity Sessions, os canadianos Cowboy Junkies conquistaram um lugar de destaque na história popular ao assinalarem ali uma importante contribuição para a construção de um espaço que, mais anos, menos anos, acabou conhecido como alt-country. A visibilidade e reconhecimento que cimentaram nos cinco anos seguintes, através dos álbuns The Caution Horses (1990), Black Eyed Man (1992) e Pale Sun, Crescent Moon (1993) fez deles mais do que meros pioneiros a quem um grito de ‘eureka’ primordial se deve. O tempo afastou-os depois da linha da frente das atenções, tendo a tetralogia The Nomad Series (quatro álbuns editados entre 2010 e 2012) representado a convocação de um modelo de trabalho semelhante ao que gerara o disco de 1988, por ali ficando claro que a essência da identidade dos Cowboy Junkies não fora erodida. Faltava apenas um conjunto de canções do calibre daquelas que outrora haviam colocado o grupo no mapa. Eis que chega… com aquele que é certamente o seu melhor disco desde esses dias.

O novo álbum por título All That Reckoning e junta duas faces de um mesmo universo, por um lado explorando o clima melancólico e plácido de temas que adivinham a vastidão cénica de uma pradaria, por outro ativando a intensidade elétrica das guitarras, porém sob intenso negrume que impede que outra luz nos desvie para climas distantes. É curioso até ver como uma mesma canção, abordada pelos dois caminhos, nos garante que, afinal, estamos sempre no mesmo universo. A voz de Margot Timmins continua a ser o elemento que resolve as equações propostas por canções que estão longe do ensaísmo das slow jams que precederam a discografia do grupo mas que em tudo mantém a alma herdada dessas experiências nas quais talharam a sua identidade, que os jogos das guitarras e de um baixo sombrio tão bem suportam. E que junta, como sinais do presente que vivemos, ecos de tempos conturbados, com particular foco na América de hoje. O medo, a manipulação, o poder, as ideias, passam entre canções que não deixam também de expressar reflexões vivenciais sobre o indivíduo e a comunidade.

“All That Reckoning”, dos Cowboy Junkies, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da Proper Records ★★★★★

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