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Sensibilidade à flor da pele mas sem floreados

Texto: NUNO CARVALHO

“As Vantagens de Ser Invisível”, que em 1999 marcou a estreia literária de Stephen Chbosky e que deu origem a um filme realizado pelo próprio escritor, acaba de ser editado entre nós pela Asa.

Adaptado ao cinema pelo próprio autor, As Vantangens de Ser Invisível (The Perks of Being a Wallflower), best-seller de Stephen Chbosky de 1999 que teve inicialmente uma receção tímida e só mais tarde se tornou um título de culto, é um daqueles raros casos em que o livro talvez seja superado pelo filme. Porque enquanto a versão cinematográfica (de 2012) pode ser satisfatoriamente apreciada por um público adulto como um coming-of-age que aborda com sensibilidade temas como a introversão, a homossexualidade, o bullying ou a doença psíquica na adolescência, já o livro talvez não seja muito apelativo para um público que extravase a faixa etária dos 15-25 anos. O que, entenda-se, não faz deste livro que acaba de ser traduzido para português pela Asa quase 20 anos depois da sua publicação original pela MTV Books uma obra com escasso valor literário (e quão relativa e subjetiva é a questão do “valor literário”), mas apenas mais adequada a um público jovem (ou jovem adulto).

Inspirado em boa parte nas memórias do próprio escritor, As Vantagens de Ser Invisível é um romance epistolar em que um rapaz de 15 anos introvertido, solitário, sensível e com uma inteligência muito acima da média vai revelando a um destinatário anónimo o seu mundo interior rico mas também a forma como é acolhido por dois amigos que mudam a sua vida. E, neste caso, além de ter escrito um bom livro, Stephen Chbosky alcançou aquilo que muitos escritores que adaptaram as suas próprias obras ao cinema raramente conseguiram – ou seja, um bom filme, com interpretações inspiradas de jovens atores com carreiras de sucesso e em ascensão como Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller. Um feito sempre difícil de alcançar, este de tocar bem dois instrumentos bastante diferentes. Porque se, por exemplo, Emmanuel Carrère transformou o seu livro La Moustache no interessante Amor Suspeito, já o caso desastroso da adaptação que Michel Houellebecq fez do seu A Possibilidade de Uma Ilha alerta-nos para o facto evidente de que a expressão literária e a audiovisual correspondem a linguagens e a técnicas muito distintas (e que um bom escritor pode ser um péssimo realizador).

“As Vantagens de Ser Invisível”
Stephen Chbosky
Asa, 260 pp.

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