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Os dez melhores singles dos Eurythmics

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Num momento em que a obra do grupo está a ser reeditada no formato de vinil recordamos dez singles que ajudam a recordar momentos maiores na discografia dos Eurythmics.

Existiram com a década de 80. Tiveram uma segunda vida, com discos e palcos, entre 1999 e 2005. E voltaram a reunir-se, em apenas uma mais ocasião, em 2014. Annie Lennox e Dave Stewart tinham já colaborado em bandas anteriores e, inclusivamente, vivido juntos quando, em 1980, criaram a ideia de um projeto no qual apenas os dois seriam a presença comum, podendo assim chamar quem entendessem a cada novo disco ou atuação. Assim nasceram os Eurythmics, que começaram por respirar ares diretamente herdados da new wave, experimentaram a pop eletrónica e, depois, rumaram a um terreno pop/rock mais clássico.

Alguns dos seus discos fizeram história, uns pelas formas e ideias inovadores, outros pelo tremendo sucesso que obtiveram. Contar a sua história em dez singles será sempre redutor. E aqui, ao propor os “dez melhores”, o critério do gosto (e da vivência de quem escolhe) naturalmente marca pontos. Mesmo assim, e como sempre, esta é uma lista tão pessoal como partilhável.

1. “Sweet Dreams (Are Made of This) (1983)
Criado sem as pressões da fama nem mesmo quaisquer agendas de expectativa, o segundo álbum dos Eurythmics assistiu a um aprofundar das demandas que Annie Lennox e Dave Stewart haviam sugerido com o seu primeiro LP gravado a dois. De substancialmente novo havia o facto de estarem a trabalhar num estúdio novo que eles mesmos haviam montado e, face ao experimentado em In The Garden, um foco mais apontado ao trabalho com as eletrónicas. A pulsão mais experimental da dupla galgou, todavia, o mais habitual espaço dos lados B dos singles e ganhou forma neste álbum como não voltaria a acontecer em nenhum disco posterior. São exemplo dessas ousadias as escolhas de This Is The House e The Walk como os dois primeiros singles, ambos tendo passado a leste das atenções. O alinhamento permita, contudo, a coexistência destes momentos com faixas mais polidas, mais… pop. Love is A Stranger, terceiro single, está já nesse território de digestão mais acessível, porém não tendo (à primeira tentativa) conseguido cativar mais atenções. O “salto” aconteceu quando, já em 1983, a escolha para um quarto single recai sobre o tema-título do álbum. Apoiado por um teledisco que explorava a força da ambiguidade da imagem de Annie Lennox, Sweet Dreams (are made of this) conquistou o mundo e elevou os Eurythmics a um patamar de popularidade que a dupla soube manter durante toda a década de 80. Annie Lennox emergia aqui como uma voz maior da pop dos oitentas.

2. “Beethoven (I Love to Listen To)” (1988)
Depois do sucesso obtido com Sweet Dreams e confirmado com Touch os Eurythmics vincaram o seu mergulho no espaço pop mainstream com dois álbuns (Be Yourself Tonight e Revenge) mais conservadores nas formas musicais. Coube então a Savage, em 1988, um espaço de reencontro com a vertigem da invenção que outrora os motivara. É verdade que esse sentido de desafio não habita todo o álbum, mas ficou particularmente bem vincado no single que serviu de apresentação ao disco. Beethoven (I Love to Listen To) recupera o labor com eletrónicas mais angulosas de outrora e explora sobretudo um registo spoken word para Annie Lennox. Outro dos valores desta pequena pérola (que não replicou o patamar de sucesso dos singles lançados entre 1983 e 1986) é o magnífico teledisco no qual Annie Lennox trabalha uma figura com dupla personalidade.

3. “Love is a Stranger” (1982)
Depois de terem iniciado a revelação dos caminhos que os conduziriam ao segundo álbum com This Is The House (que, tal como o anterior Belinda, passou longe das atenções) e The Walk (que lhes garantiu uma segunda, embora discreta, presença no Top 100 britânico), o terceiro single de antecipação do álbum agendado para o início de 1983 voltou a caminhar entre trilhos distantes do sucesso. Editado em novembro de 1982 Love is a Stranger revelava uma canção pop de linhas mais polidas do que as exploradas nos singles anteriores e deixava bem evidente o protagonismo que as eletrónicas estavam a tomar na música desta dupla. A sorte virou com a edição do álbum Sweet Dreams e o impacte tremendo da canção que dava título ao álbum. E para dar seguimento ao fenómeno gerado por Sweet Dreams (are made of this) o single Love is a Stranger foi reeditado em 1983, desta vez sob outra aclamação, fazendo-se acompanhar por um teledisco que vincava as ambiguidades na figura de Annie Lennox que dela fariam um ícone pop daqueles tempos.

4. “Belinda” (1981)
Apesar do interesse em explorar os emergentes caminhos abertos pelas eletrónicas ao serviço da canção pop, os Eurythmics não deixaram de refletir no seu álbum de estreia alguns ecos do que fora a etapa que Annie Lennox e Dave Strwart tinham percorrido nos Tourists. O segundo single da banda abre essa fresta de uma forma evidente, recuperando uma identidade new wave através de uma canção que só conheceu edição neste formato no Reino Unido e que, ali, passou a leste das atenções e não teve sequer teledisco. Para quem conhece mal a etapa pré-Sweet Dreams o álbum In The Garden é uma boa surpresa e este Belinda um tesouro a (re)descobrir. Na canção, produzida por Conny Plank, colaboram Holger Czukay (na trompa) Robert Görl (dos DAF) na percussão. No tema que surgia no lado B do single, o mais experimental Hertbeat Hertbeat , participavam ainda o ex-Can Jaki Liebezeit (metais)e o trompetista Markus Stockhausen (filho do compositor Karlheinz Stockhausen).

5. “Sexcrime (Nineteen Eighty-Four)” (1984)
Depois de Touch, e antes mesmo de criarem um novo álbum de canções pop, os Eurythmics embarcaram no desafio da criação da banda sonora de uma segunda adaptação ao cinema do romance de George Orwell 1984. Sem mais contribuições que não as dos dois elementos do grupo assim nasceu 1984 – For The Love of Big Brother, disco que apresenta canções e temas instrumentais (alguns deles com vocalizações) diretamente inspirados pela narrativa e pensados para serem usados em situações concretas do filme. A canção Sexcrime (Nineteen Eighty-Four) acabou porém fora do filme, sendo apenas usada no trailer que o anunciou. Talhada por eletrónicas, usando várias técnicas e ferramentas de manipulação vocal (do sampling ao vocoder), a canção foi usada como single de apresentação da banda sonora, tendo sido recebida no mesmo patamar de entusiasmo que o grupo vinha a conhecer desde 1983 e que se manteria nos anos seguintes.

6. “Who’s That Girl” (1983)
O sucesso obtido por Sweet Dreams devolveu os Eurythmics a estúdio já sob um novo estatuto. Mas nem por isso os métodos de trabalho mudaram imediatamente. Um terceiro álbum, ao qual chamariam Touch, seria gravado e misturado em apenas três semanas, uma vez mais no estúdio que o grupo criara e no qual se habituara a trabalhar. O som era uma vez mais dominado por eletrónicas, mas aceitava presenças novas, dos metais às cordas. O álbum só chegaria às lojas em finais de 1983 mas, meses antes (em junho), um primeiro single era lançado. A escolha recaiu sobre Who’s That Girl, canção musicalmente próxima dos espaços abordados no álbum anterior que serviu de base para a criação de um teledisco onde, mais ainda do que nos anteriores, era explorada a questão da identidade de género. O single obteve o impacte desejado e abriu portas a uma estabilização da carreira do grupo. Haveria vida depois de Sweet Dreams

7. “Here Comes The Rain Again” (1984)
Depois do sucesso obtido pelo álbum Sweet Dreams, Touch foi o primeiro disco dos Eurythmics a ser criado já sob atenções generalizadas. O álbum reflete uma mais ambiciosa visão sonora, revelando um trabalho de produção mais apurado, servindo o alargamento do espectro de timbres que os arranjos convocam a canções que seguem por vários caminhos e soluções. Uma das maiores novidades é a sugestão de um espaço de encontro entre a pop (ainda essencialmente eletrónica) e o som de uma orquestra. Aconteceu em Here Comes The Rain Again, que seria editado como terceiro single extraído do alinhamento de Touch. O arranjo de cordas é de Michael Kamen.

8. “Sisters Are Doin’ It for Themselves”, com Aretha Franklin (1985)
Depois de editados três álbuns claramente dominados pela presença das eletrónicas os Eurythmics apontaram o passo seguinte a um reencontro com valores mais tradicionais da cultura rock’n’roll. Outro elemento-chave na criação de Be Yourserlf Tonight foi um abraçar de heranças do universo R&B, chamando aos arranjos claras referências ao som da Motown (juntando metais e coros de escola soul) e chamando colaborações. Stevie Wonder levou a harmónica a There Must Be An Angel, que foi o segundo single extraído do disco. Para o terceiro, e dada a indisponibilidade de Tina Tuner (a quem era destinada a canção), convidaram a estúdio Aretha Franklin, que, em dueto com Sisters Are Doing it For Themselves criaram um poderoso hino. A canção surgiu tanto no álbum de 1985 dos Eurythmics como em Whos’ Zomin Who, disco que nesse mesmo ano Aretha Franklin lançou em seu nome.

9. “The Walk” (1982)
A vontade em trilhar um caminho mais pessoal e independente levou os Eurythmics a criar o seu próprio estúdio de gravação, no qual começaram a trabalhar depois de editado o álbum de estreia In The Garden (1981). As canções do segundo álbum começaram ali a ganhar forma em 1982, vincando ainda mais do que no ano anterior a presença das eletrónicas. Depois de This Is The House, editado em abril de 1982 (sem particular impacte) um segundo single de material novo surgiu em junho, uma vez mais sem agitar atenções. The Walk, dominado pelas eletrónicas mas com presença forte de um saxofone, revelava uma certa tensão cinematográfica que o teledisco procurou explorar. As edições em single e máxi juntam peças que são hoje raridades quase esquecidas.

10. “Never Gonna Cry Again” (1981)
Conflitos internos tinham eclodido entre os Tourists. E, ao cabop de três álbuns editados, dois dois elementos do grupo deram por si a querer experimentar outras ideias. Imaginam um projeto novo, no qual só eles são uma presença fixa, começando a ensaiar formas e melodias com a ajuda de novas máquinas. A ideia cresce, os Tourists acabam e o projeto ganha vida independente como Eurythmics. Gravam um primeiro álbum com Conny Plank (com quem já haviam trabalhado nos Tourists) e escolhem Never Gonna Cry Again como single de apresentação. A presença das eletrónicas é bem visível numa canção que é uma das poucas em que se escuta Annie Lennox a tocar flauta, o instrumento que trabalhara nos tempos em que fizera formação musical. Não foi um êxito. Mas conquistou atenções suficientes para chegar ao número 63 no Reino Unido.

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