Últimas notícias

Feist: o prazer é todo nosso

Texto: GONÇALO COTA

Seis anos depois regressou, este domingo, ao Coliseu de Lisboa (depois de tê-lo feito em Braga no dia anterior). Agora acrescentando o luminoso “Pleasure” à bagagem, Feist soube propagar-se para além da sua pop folk translúcida.

Mal entra em cena (e fortemente aplaudida), Feist, através de um daqueles tradutores com vozes incrivelmente robotizadas, explica-nos que o que lhe aconteceu à voz. “É uma história normal” – ouve-se a ecoar por entre o (composto) Coliseu. “Um resfriado me pegou em Bruxelas e me persegui até Paris, raptou a minha voz em Braga. (…) Estou muito insegura do que pode acontecer” (sic). Não devia. Há segurança imprimida na sua voz, há segurança na naturalidade e fluidez com que dinamizou permanentemente a sua relação com o público, com que se move no palco, para que este não se agigante perante si.

Mas são alguns anos de estrada: a canadiana celebra – durante o próximo ano – vinte anos de carreira, alguns deles como membro integrante da banda Broken Social Scene, outros a desenhar a solo paisagens musicais suspensas em composições pop folk, com um constante sentido relacional entre os elementos naturais e a sua própria vida. O quinto álbum, Pleasure, suprime eventuais acessórios e detalhes, reinventando o seu registo simples (sem ser simplista ou lívido) de voz e guitarras, através de um conjunto de canções que pretende fazer uma radiografia à sua autoconsciência.

Durante duas horas, contou-nos sobre as eventualidades da sua vida e dos que a rodeiam – do companheiro criativo que acabara de se mudar para Lisboa, da embriaguez emocional associada ao fim de um ciclo de concertos, da viagem que fez por Portugal, onde não faltou “bom vinho e pastéis de nata”. E cantou-nos de forma muito similar ao registo em estúdio quase a totalidade das músicas que compõem o alinhamento de Pleasure (daqui, ficou a faltar, particularmente, a fantástica Lost Dreams), mas houve espaço para escutar as ressonâncias da sua carreira, canções que a deram a conhecer como uma das mais interessantes cantautoras da cena indie – destaque para “1234” e “The Limit to Your Love”. Fechou-se, assim, o ciclo de Pleasure: numa noite morna, e mais quente ficou, habitada pela incandescência de Feist.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: