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Rachid Taha (1958-2018)

Texto: NUNO GALOPIM

A poucos dias de completar os 60 anos morreu, vítima de ataque cardíaco, o músico argelino Rachid Taha. A sua obra, influenciada pelo raï e estéticas ocidentais, passou por alguns momentos de aventura e diálogo com as eletrónicas e a música de dança.

Poderão ler hoje na imprensa expressões como “rei do raï” ou outras máximas superlativas que nada dizem… Mas a verdade é que o argelino Rachid Taha, que morreu aos 59 anos, vítima de um ataque cardíaco, foi sobretudo um experimentador para lá das fronteiras desse espaço de diálogo entre a cultura magrebina, a música ocidental e a força política da palavra que, de facto, teve entre os seus espaços de formação mais no qual não limitou a sua obra. De resto, e apesar de uma aproximação a valores mais próximos das linguagens do raï nos seus discos posteriores a 1998, a obra que Rachid Taha desenvolveu num campo de diálogos com a dance music e as eletrónicas nos anos 90 valeu-lhe ser reconhecido como um dos espíritos mais aventureiros entre os músicos da sua geração.

Rachid Taha mudou-se com a família para França quando tinha dez anos. É aí que vive a descoberta da música, juntando às genéticas que lhe chegam pela vida familiar uma curiosidade pelas formas emergentes na pop de então. Tem em França uma primeira etapa de vida profissional com a banda Carte de Séjour, com a qual grava dois álbuns na década de 80, um deles abrindo um espaço de colaboração com Steve Hillage com quem voltaria a trabalhar depois de, na alvorada dos anos 90, ter iniciado um percurso a solo. Entre os colaboradores com quem então trabalhou contaram-se ainda figuras como Don Was ou Jah Wobble.

Barbès (1990), o seu álbum de estreia a solo, nasce numa altura em que fixa residência profissional em Paris. O disco revela claras assimilações de ideias vindas dos espaços do raï e de outros terrenos da cultura magrebina, mas mostra sinais de um desejo em procurar caminhos de aventura junto de novas formas da música eletrónica que, sobretudo nas versões em máxi-single, levam as canções a momentos de investida pelos territórios contemporâneos da música de dança. Estes diálogos são aprofundados nos posteriores Rachid Taha (1993), o disco que incluía Voilà Voilà (que gerou um êxito colossal) e Olé, Olé (1995), para este último tendo o músico surgido de cabelo loiro e imagem andrógina, postura que representou uma forma de criticar a “homofobia na cultura do norte de África”, como mais tarde explicaria ao New York Times.

Na hora da despedida deixamos aqui cinco canções (algumas em forma de remistura) que documentam episódios distintos da carreira de Rachid Taha. Começamos com a versão dub de Confiance, um dos temas do álbum Barbés, de 1990. Depois, uma das remisturas de Volià Voilà, de 1993. A terceira escolha é Non Non Non, um dos singles extraídos do álbum Olé Olé, de 1996. O quarto tema desta lista de cinco é Ya Rayah, single do álbum Diwan, de 1998, no qual Rachid Taha se aproxima das formas mais canónicas do raï. E, a fechar a lista, uma versão de Rock The Cashbah, dos Clash, que gravou em 2004.





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