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23. Prince Buster (1963)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em 1963 e representou a estreia no formato de álbum do jamaicano Prince Buster, um dos pioneiros do ‘ska’.

Cecil Bustamente Campbell nasceu em Kingston, na Jamaica, em 1938, mas viveu os seus primeiros anos numa comunidade rural, tendo iniciado a sua relação com a música a cantar na igreja. De regresso, ainda jovem a Kingston, começou a participar em festas rock’n’roll num clube que se tornou num pólo de atenções de uma nova cultura jovem que ali emergia e, depois, iniciou um relacionamento com sound systems. Começou como segurança, mas aprendeu a fazer de tudo um pouco, a ponto de, a dada altura, e depois de ter aberto uma loja de discos, ter fundado um sound system, o Voice of The People, que, em pouco, se afirmou como um sério competidor com os já estabelecidos. Foi contudo o passo seguinte aquele que o inscreveu na história, quando, numa altura em que se apresentava já como Prince Buster, entrou em estúdio, acompanhado por vários músicos, para gravar discos seus.

Estreou-se com um primeiro single em 1961, seguindo-se uma série de lançamentos, ainda em 45 rotações, que cativaram atenções na Jamaica. No mesmo ano, e aí como produtor, esteve por detrás da criação de Oh Carolina, dos Folkes Brothers, que rapidamente se afirmaria como um dos primeiros casos de sucesso internacional do emergente ska. O modo de trabalhar a bateria e, sobretudo, o acentuar rítmico da guitarra, definiam uma linguagem que rapidamente alastrou.

Em 1963 Prince Buster apresentou em I Feel The Spirit um primeiro álbum que traduz o estado de maturação de uma música na qual, apesar das já evidentes marcas de transformação, ainda são ocasionalmente nítidas as heranças do R&B norte-americano. Para cumprir o alinhamento Prince Buster chamou a estúdio vários grupos, nomeadamente os Drumbago All Stars, Les Dawson Blues Unit e a Rico Rodriguez Blues Band.

Entre o alinhamento do álbum surge o clássico Madness, canção que daria nome a uma das mais importantes bandas britânicas nascidas de um fenómeno de revivalismo do ska que ganhou forma no final dos anos 70. Os Madness, em retribuição pelo “empréstimo” do nome, apresentaram um tributo a Prince Buster, com o título The Prince, no seu primeiro single, editado em 1979, com uma versão de Madness no lado B. A uma versão de outra canção Prince Buster os Madness foram ainda buscar o tema-título do seu álbum de estreia, One Step Beyond. Nomes como os The Beat ou os Specials, figuras marcantes do mesmo ska revival, cantaram também versões de originais de Prince Buster, figura que, na música jamaicana, ficaria sobretudo associada à génese do ska.

“I Feel The Spirit”, de Prince Buster, teve edição original em LP pela Blue Beat em 1963, seguindo-se uma reedição, ainda com sede em solo britânico, em 1968, pela FAB Records. Nos últimos anos surgiram várias reedições em vinil de 180 gramas e em CD, mantendo a fotografia da capa original, embora com um ligeiramente diferente tratamento de cor.

Da discografia de Prince Buster vale a pena descobrir discos como:
“Fly Flying Ska” (1964) – compilação com outros pioneiros do ska
“Prince Buster ‎– Sings His Hit Song Ten Commandments” (1967)
“Prince Buster Record Shack Presents The Original Golden Oldies Vol. 1” (1987)

Se gostou, experimente ouvir:
Skatalites
The Maytals
Roland Alphonso

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