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25. Barbara (1964)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em 1964 e representou o início de uma nova etapa na obra de Barbara, que então se afirma definitivamente não apenas como intérperte mas também uma das maiores compositores da ‘chanson’.

Uma das maiores vozes da canção francesa, Barbara (de seu nome real Monique Andrée Serf) juntava nas suas criações uma forte carga poética, uma série de referências que tanto herdavam pistas da chanson como de ecos de afluentes do jazz e, sobretudo, um talento interpretativo que cedo a demarcou de quaisquer outras figuras. A ascendência judaica levou a família a dispersar-se e viver em fuga na França ocupada nos tempos da II Guerra Mundial, a relação com a música surgindo, na segunda metade dos anos 40, sonha com um futuro como pianista cantora que começa a ganhar forma com aulas que então frequenta e a familiaridade que começa a ganhar com um piano alugado que surge na casa em Paris onde então reside. É, contudo, numa etapa de vida na Bélgica, na alvorada dos anos 50 que, entre uma comunidade de artistas, começa a cantar regularmente em público. Começa por cantar as canções dos outros, criando uma voz tão peculiar que, mais adiante, fará de discos com versões de canções de Georges Brassens e Jacques Brel, respetivamente editados em 1960 e 1961, peças importantes na criação de outras vidas para os cancioneiros de ambos os cantautores.

É, todavia, através de canções suas, que compõe e começa a tocar na alvorada dos anos 60 que cativa atenções, acabando por assinar um acordo editorial com a Phillips, que daí em diante não deixará de ser a sua “casa” editorial. Canções como Nantes (que surge quando visita a cidade costeira onde descobre que o pai, que um dia partira sem deixar rasto, morrera e estava sepultado), Pierre ou À Mourir Pour Mourir começam por surgir em EPs. Nantes, de resto, é inclusivamente lançado numa primeira edição pela CBS que, pontualmente a edita (e chegará mesmo a lançar o álbum Dis Quand Tu Reviendras Tu?, já numa altura em que que Barbara assinara pela Phillips).

Estas canções chamam atenções para um álbum que, apesar de representar o quarto na discografia de Barbara, assinala não apenas o início de uma nova etapa numa nova editora, mas traduz também o encetar de uma expressão discográfica da obra de Barbara como autora das suas canções. Figura de fisionomia bem desenhada, personalidade peculiar, Barbara afirmou um percurso ímpar que dela fez um nome de primeira linha na história da música francesa. L’Aigle Noir, de 1970, seria o seu maior sucesso. Mas o disco “das rosa” registou na sua obra o momento da definitiva afirmação de uma grande cantora que era, também, uma incrível compositora.

“Barbara Chante Barbara”, de Barbara, teve edição original no formato de LP em mono em 1964, surgindo meses depois (Já em 1965) uma primeira edição em estéreo. Edições em CD começaram a surgir nos anos 90 respeitando capa e alinhamento. A obra de Barbara está ainda à espera de que dela se lembrem as editoras que estão, no presente, a devolver estas memórias a novas prensagens em vinil.

Da discografia de Barbara vale a pena descobrir discos como:
“Barbara Nº 2” (1965)
“Barbara” (1967)
“L’Aigle Noir” (1970)

Se gostou, experimente ouvir:
Juliette Gréco
Jacques Brel
Georges Brassens

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