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A ousadia ficou-lhes bem

Texto: NUNO GALOPIM

Aos 25 anos de atividade os Low resolvem abrir um novo ciclo. “Double Negative”, o seu novo álbum, lança novas demandas, mais ambientais e até mesmo cinematográficas, sem por isso a banda perder a sua identidade e código genético.

O que pode fazer uma banda aos 25 anos de carreira, com um 12º álbum de estúdio pela sua frente? No caso dos Low não podemos dizer que tenham aplicado aquela máxima dos Monty Python: o clássico “e agora algo completamente diferente”… Mas três anos depois de Ones and Sixes e com uma obra que junta já diversos discos e uma história de grande reconhecimento e respeito, os Low optam por assinalar as suas bodas de prata com um disco que, sem perder a sua identidade e código genético, ousa transportar a sua música para novos caminhos que sugerem, sobretudo, um sentido de desafio. Coisa que, entre bandas, é mais frequente acontecer em tempo de nascimento e afirmação do que numa etapa de consagração (como sucede com os Low).

Double Negative é talvez o mais desafiante dos discos que os Low editam em muitos anos. É um álbum com uma carga cinematográfica bem presente, que opta por trabalhar em primeiro lugar os contextos e os ambientes e só depois, de quando em vez, neles encontra espaço para que a canção possa emergir.

O ruído, as névoas feitas de som e estática, são como brumas que dominam uma paisagem que, ocasionalmente, revela a presença de vozes e melodias que, afinal, ali estavam escondidas. É um disco em movimento. Um movimento lento, como se espera de quem caminha entre neblinas. E que vive então dos contrastes entre expectativas e erupções de momentos com formas mais definidas que, mesmo assim, não procuram depois arrumar as ideias numa estrutura mais clássica de verso e refrão. Tudo isto numa cadência suave, sob um clima melancólico e pouco dado a surtos de cor… Imersivo, intrigante e, aos poucos, irremediavelmente contagiante, Double Negative é um mundo de sensações que parece lançar bases para uma nova demanda para uma banda que assim se renova e encontra novos motivos de entusiasmo. Aos 25 anos é de criatividade, fulgor e ideias que vivem os Low… Coisa rara quando, tantas vezes, um quadro de tempo desta amplitude se traduz em muitas carreiras como patamar para estratégias de longevidade como forma de sobrevivência.

“Double Negative”, dos Low, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da Sub Pop. ★★★★

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