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Canções para um verão prolongado

Texto: NUNO GALOPIM

Dois anos depois de um promissor álbum de estreia o segundo disco do projeto alemão Roosevelt rumou a Los Angeles. Os ecos de familiaridade com o álbum anterior são evidentes, mas aqui há menos noite e mais… América.

A descoberta fez-se há coisa de dois anos, revelando um projeto de um homem só. Apresentou-se como Roosevelt, mas chama-se na verdade Marcius Lauber, vinha de Colónia (a mítica casa dos Can) estava já a revelar, desde 2012, um talento na escrita de canções pop num terreno que tem em comum nomes como uns Hot Chip ou Washed Out, ou seja, entre reinvenções da pop eletrónica, uma paleta de cores chillwave e uma certa proximidade com os universos da música de dança.

O álbum de estreia, que juntou em 2016 alguns dos singles que foi criando nos primeiros quatro anos atividade, tomava esses dois pilares de referência da pop electrónica do presente como referências, juntando depois condimentações ballearic, heranças da new wave e, acima de tudo, um gosto pela estrutura clássica da canção pop. E sem tropeçar nas armadilhas de vida curta dos sabores da saison fez do álbum, ao qual chamou simplesmente Roosevelt, um episódio bem agradável na história pop do final do verão de há dois anos.

Dois anos depois o projeto Roosevelt volta a apontar a pontaria a um calendário de transição do verão para o outono. E, nestes tempos de clima pouco canónico, as suas canções acabam até a ser uma proposta de banda sonora para um verão prolongado.

A uma primeira audição parece que nos está a ser servida uma dose de mais do mesmo. A forma das canções é semelhante, as sonoridades percorridas são quase as mesmas, a voz não mudou o modo de cantar. Mas à medida que o alinhamento avança fica claro que, se Roosevelt, o álbum de estreia, era um disco nascido com a noite por inspiração, o novo Young Romance é coisa mais diurna, menos apontado à pista de dança e, mesmo animado por brisas retro, denota mais ecos da América do que da Europa. A história do disco conta que o músico, de facto, se mudou para Los Angeles, onde acabou a trabalhar as canções que ali ganharam corpo. Mantém-se todavia em cena uma mesma relação com a canção pop eletrónica, tanto nas estruturas como nas referências que apontam mais a sabores intemporais. Não repete nem a surpresa nem o sentido de encantamento das canções do disco de estreia. Mas em Young Romance podemos encontrar um segundo digno álbum de canções pop na carreira de Roosevelt.E, mais ainda, uma coleção agradável de canções para ouvir neste outono com sabor a fim de verão.

“Young Romance”, de Roosevelt, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da City Slang. ★★★

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