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Quentes e boas

Texto: DANIEL BARRADAS

O outono é sempre altura de muitos lançamentos. Para que não se percam entre os nomes que normalmente monopolizam as atenções, aqui fica uma dúzia de destaques, qual cartucho de castanhas assadas. Freguês, isto é tudo bom! Façam-se a elas, quentes e boas.

Toby Driver

Toby Driver
“They are the shield” ★★★★★

O mais recente álbum em nome próprio de Toby Driver é daqueles ovnis que fazem a vida difícil aos críticos de música. Longas introduções com violino, incursões pela pop, jazz, electrónica e esboços de folclore. É tudo e é outra coisa completamente diferente. Fascinante, hipnotizante, é um álbum que urge ser ouvido e devorado mas digerido lentamente em repetidas audições. Um dos discos incontornáveis deste ano.

Princess Chelsea
“The loneliest girl” ★★★

A que soaria Virgina Astley se tivesse continuado a fazer música? Ao seu quarto álbum, Princess Chelsea aproxima-se da resposta a essa pergunta apostando numa pose de inocência versão século XXI, pós-Debbie Harry e pós-Lana del Rey. Não se deixem enganar pela bucólica capa do disco nem pela voz infantilizada, esta rapariga sabe o que faz e para onde vai. Como se não fosse argumento bastante, há aqui momentos de absoluta delícia pop como “The loneliest girl” onde se dança na ponte entre os Blondie e os Saint Etienne.

Baleia
“Coração fantasma” ★★★★★

É um single com três canções mas não importa. São todas excelentes e a prova de que depois de “Atlas”, o álbum de 2016, esta banda continua a explorar e abrir o seu caminho único na música brasileira. Como prato de entrada é mais que perfeito. O nosso apetite está aberto, venha o próximo álbum!

Exit North
“Book of romance and dust” ★★★★★

Steve Janson dos Japan, Thomas Feiner dos Anywhen. Já tinham colaborado várias vezes, sempre com excelentes resultados mas agora voltam com outros músicos em formato banda. O resultado é deslumbrante e é um dos discos do ano. Lançamento de autor para ouvir e comprar pela plataforma Bandcamp.

Ken Wakan
“Phantasmagoria 1” ★★★★
O projecto do músico búlgaro radicado em Los Angeles Gueorgui Linev lançou o seu segundo album, na verdade a primeira parte de um planeado tríptico. Com uma produção imaculada e a voz envolvente de Rachel Fannan, oscilando entre o soft jazz e a electrónica pop, dando ocasionalmente umas piscadelas de olho aos Massive Attack, o resultado convence.

Castello Branco
“Castello dança – Sintoma” ★★★★

“Sintoma” já tinha sido um dos bons discos brasileiros do ano passado. Agora regressa exactamente com o mesmo alinhamento mas com as canções remisturadas por nomes emergentes da electrónica brasileira. A mais inesperada surpresa é a consistência que premeia todo o álbum, como se uma só mente o tivesse trabalhado e não os 11 diferentes projectos. Destaque-se ainda a enorme qualidade de todas as remisturas, capazes não apenas de mudar os arranjos, mas de completamente reinventar as canções tornando este álbum não um companheiro ou filho menor do original, mas algo que vale por si mesmo.

Hekla
“Á” ★★★★

Poderia ser apenas mais uma islandesa hipersensível, mas Hekla combina lindamente o seu talento a tocar theremin, o mais exótico dos instrumentos electrónicos, com as suas frágeis vocalizações e o resultado é simplesmente mágico e hipnotizante.

Maribou State
“Kingdoms in Colour” ★★★

A música de dança com samples de música étnica teve o seu zénite nos anos 90 mas ainda há praticantes. Os Maribou State demonstram que a fonte está longe de secar e presenteiam-nos com uma pérola de pop dançável. O título do álbum assenta-lhe como uma luva: entrem neste reino de sonoridades multicoloridas sem hesitar.

Flavien Berger
“Contre-temps” ★★★★

Mais uma prova de que a pop electrónica francesa vive um bom momento. Depois do excelente “Leviathan” de 2015, a fasquia estava bastante alta para Flavien Berger mas “Contre-temps” vem mostrar que não havia que recear. Este é um álbum que é uma hora de lânguida e elegante invenção que demonstra que convém andar de ouvidos postos no que vem de França.

Sobrenadar
“y” ★★★

De Espanha não costuma vir pop tão contemplativa e elegante como esta. Ao segundo álbum os Sobrenadar apresentam idéias maduras aproximando a canção a atmosferas ambientais. O saborzinho a sintetizadores retro também não lhe fica nada mal e a voz encharcada em ecos consegue evitar o “efeito Enya”. Uma banda a seguir para ver se continuam a crescer.

Ah! Kosmos
“Beautiful swamp” ★★★

O projecto musical de Başak Günak, turca residente em Berlin, é uma exploração em ambientes entre as tradições orientais e o rock/pop ocidental. Sem se aventurar em grandes inovações ou exotismos, o resultado é ainda assim refrescante.

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1 Comment on Quentes e boas

  1. Sobrenadar não vem de Espanha, mas da Argentina… Acho eu…

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