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28. Jacques Brel (1965)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em finais de 1965 e revelou um conjunto de intensas canções que representa um dos momentos mais felizes do relacionamento da sua escrita com as orquestrações do maestro François Rauber.

Em meados dos anos 60 Jacques Brel não era mais o jovem cantor belga que divida atenções entre Bruxelas e Paris em busca de um sonho. Estreada em 1954 – ano em que tanto edita o 78 rpm “Il Peut Pleuvoir” como o 33 rpm de estreia “Jacques Brel et ses Chansons” – a sua discografia contava já sete álbuns de estúdio, uma gravação ao vivo (registada em 1964 no Olympia, em Paris) e uma multidão de EP. Era uma voz já viajada, sobretudo desde a aurora da década quando alargou a geografias mais distantes a sua agenda de atuações ao vivo. Era já um dos nomes mais destacados da canção em língua francesa. E preparava-se para viver, em dezembro de 1965, duas noites de sala esgotada no Carnegie Hall, em Nova Iorque.

É por essa altura que surge no mercado francês uma primeira edição de um álbum (no formato de dez polegadas, então comum por aqueles lados) no qual um lote de seis novas canções elevam a um patamar mais desafiante a escrita, a interpretação e, sobretudo, a criação das forma final de grandes canções. Com apenas seis canções no alinhamento original – que depois cresceria com a chegada de uma edição em álbum de doze polegadas já em 1966 – “Ces Gens-Là” inclui “La Chanson de Jacky”, um clássico imortal de Brel que, com os anos, conheceu outras versões e interpretações. Mas não se esgota aí a visão de canções poderosas nas palavras (o tema título, por exemplo, fala, na terceira pessoa do plural, de uma crítica à família de uma mulher que impede um amor com aquele que canta) e pungentes em arranjos orquestrais assinados por François Rauber.

O disco abre horizontes e possibilidades sem contudo representar uma mudança de rumo. Pelo contrário, numa rota de continuidade, representa uma transição para uma etapa de mais complexo labor nas formas. Curiosamente o disco sai no mesmo ano em que o cantor norte-americano Mort Schuman se muda para Paris onde contacta de perto com estas canções acabando, em 1968, por assinar o musical “Jacques Brel is Alive and Well and Living in Paris”, que será o ponto de partida para a criação de versões das canções de Brel em língua inglesa que encantariam, entre outros, futuros admiradores seus como Scott Walker, David Bowie ou Marc Almond, precisamente autores de algumas das melhores novas abordagens às suas canções.

A fotografia (magnífica) que vemos na capa deste disco ganhou um peso icónico com o tempo. E hoje podemos vê-la, em grandes dimensões, numa montra do edifício que alberga a Fondation Jacques Brel, na Place de la Vielle Halle aux Blès, no centro de Bruxelas.

“Ces Gens-Là”, de Jacques Brel, surgiu originalmente numa edição de 10” com seis faixas em finais de 1965, num lançamento da Barclay. Uma versão com alinhamento mais extenso chegaria num LP de 12 polegadas em 1966. Seria essa a versão mais vezes reeditada. Em 2003 uma reedição em CD acrescentou ainda mais quatro canções em língua flamenga.

Da discografia de Jacques Brel vale a pena descobrir discos como:
“Jacques Brel” (1962)
“Olympya 64” (1964)
“J’Arrive” (1968)

Se gostou, experimente ouvir:
Juliette Gréco
Georges Brassens
Scott Walker

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