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“Mr. Wonderful”: o desafio do segundo álbum

Texto: NUNO GALOPIM

Lançado poucos meses depois de um álbum de estreia que acabar transformado num caso de sucesso (e que seria depois visto como referência de uma geração de múscos de blues britânicos), o segundo LP passou ao lado de algumas visões que então estavam já a gravar em singles.

O segundo álbum pode, muitas vezes, ser um momento difícil na carreira de um músico. E os Fleetwood Mac têm na sua história um episódio que se perfila claramente neste diagnóstico… Um difícil segundo álbum. Não que “Mr. Wonderful” seja um disco difícil de escutar. Antes pelo contrário, é em tudo um registo de clara continuidade face ao que o grupo havia registado em disco num primeiro álbum lançado apenas alguns meses antes, no início de 1968. Mas ao passo que esse outro disco, que tem por título “Fleetwood Mac” (embora por vezes seja referido como “Peter Green’s Fleetwood Mac”) nascera de um ímpeto de saboroso desafio sem consequências pesadas na agenda futura, já o segundo álbum entrou em cena sob o peso do impacte que o disco de estreia, inesperadamente, acabara por desencadear.

Com formação a quatro – Peter Green, Mick Fleetwood, John McVie e Jeremy Spencer – o grupo regressou ao mesmo estúdio onde tinha gravado o disco anterior, chamando para as sessões novos instrumentos. A presença do piano e de uma secção de sopros alarga assim a paleta de timbres, embora esteticamente o grupo tenha optado por se manter fiel aos terrenos dos blues nos quais havia criado as canções do álbum de estreia. Os sinais de busca de outras visões, que tinham experimentado nos magníficos “Black Magic Woman” ou “Need Your Love So Bad”, ambos editados em singles lançados entre os dois álbuns mas não representados no alinhamento de “Mr. Wonderful” acabaram por ali não se refletir de maneira evidente. Há, mesmo assim, na balada “Love That Burns”, um momento digno de destaque.

O maior dos percalços de “Mr. Wonderful” não reside apenas no recuo estético face ao que, no formato de single, o grupo estava já a tatear quando reentrou em estúdio para gravar. Pensadas para refletir a “verdade” das atuações de palco, as sessões de gravação avançaram para um modelo “ao vivo em estúdio” que, contudo, deixa a desejar no patamar do primor técnico, deixando o som abaixo do que eram já os standards daquele tempo.

Nenhum single foi extraído do alinhamento de “Mr. Wonderful”, que decididamente não repetiu o tom de encantamento sugerido pelo álbum de estreia. Deixou-nos porém uma das mais icónicas capas do grupo, com aquela bizarra fotografia de Mick Fleetwood… Há já quem tenha dito que a sua expressão traduzia a perplexidade do grupo ao ter de escolher um rumo para o disco. Se calhar quem o disse tinha razão…

“Mr. Wonderful”, dos Fleetwood Mac, teve edição original em agosto de 1968 pela Blue Horizon.

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