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29. The Supremes (1966)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em fevereiro de 1966 e revelou um momento em que a música das Supremes aceitou novos desafios instrumentais sem contudo perder a sua relação com a canção pop e também com o universo do rhythm’n’blues. A Motown voltava a acertar.

Depois de uma série de singles com canções de autores diversos (entre os quais figurou Smokey Robisnon) as Supremes iniciaram em 1963 uma relação mais próxima com o trio Holland – Dozier – Holland, uma força central ao serviço da Motown por aqueles dias e que, depois do impacte relativo de “When the Lovelight Starts Shining Through His Eyes” e do mais discreto “Run, Run, Run”, alcançou um primeiro número um nos EUA em 1964 com “Where Did Your Love Go”, o primeiro de uma série de cinco singles a atingir consecutivamente o topo da tabela de vendas norte-americana. O 11º lugar de “Nothing But Heartaches”, em 1965, sugeriu que era chegada a hora de procurar outros caminhos para o reencontrar de um sucesso ao nível do que era o estatuto já conquistado pelo trio vocal. E é sob uma lógica que tanto aceita o desafio de experimentar uma linguagem mais elaborada nos arranjos, sem descuidar a ideia (central) da construção de pontes entre o formato da canção pop e os terrenos do rhythm’n’blues (sobretudo os da emergente música soul), que o mesmo trio de autores propõe às Supremes o tema “I Hear a Symphony”. Com o single de facto somam um sexto número um ainda em 1965. Mas nele estava a chave para uma operação no mesmo sentido a operar num oitavo álbum que surgiria já em 1966. E que, apesar de não ser dos mais habitualmente citados na discografia do grupo (na verdade fala-se sempre mais dos singles do que dos álbuns das Supremes), é um caso que vale a pena reter como episódio marcante na discografia pop com travo soul dos anos 60.

Editado em fevereiro de 1966, “I Hear a Symphony” apresentava um conjunto de canções com evidentes afinidades entre si no plano dos arranjos, juntando o melhor alinhamento que o grupo levava a um álbum desde “Where Did Our Love Go” de 1964. Às novas canções, sobretudo do trio feito por Lamont Dozier e os irmãos Brian e Eddie Holland (entre as quais figurava ainda o rebuçadinho pop “My World Is Empty Without You”) juntavam-se ali versões que traduziam ecos do mundo pop de então como “Yesterday” dos Beatles ou “Unchained Melody”, imortalizada pelos Righteous Brothers. Estas versões traduziam, na verdade, a ideia que presidira originalmente à criação deste álbum, que começou assim por surgir sob uma ideia de versões à la Supremes, de standards da pop de então mas que, pelo impacte popular dos inéditos no formato de single, acabou por optar por juntar os dois universos num espaço comum, deixando aos grandiosos arranjos orquestrais o papel de ser ali o melhor denominador comum.

Diana Ross é aqui claramente a voz protagonista, acompanhada de pero por Mary Wilson e Florence Ballard, somando ainda a presença do grupo vocal feminino The Andantes em “Any Girl In Love”. O disco, que chegou ao número 8 nos EUA (mantendo-se durante mais de um ano na tabela de vendas) teve boa receção (apesar de não ter suplantado o sexto lugar de “More Hits By The Supremes” de 1965 e o segundo de “Where Did Our Love Go”). Caberia ao seguinte “The Supremes A’ Go-Go”, animado pelo sucesso de “You Can’t Hurry Love” o momento em que, depois de vários filmes, por uma vez um álbum de estúdio do trio atingir topo da tabela de álbuns.

“I Hear A Symphony” teve a sua edição original em LP em fevereiro de 1966 pela Motown. Depois de primeiras edições em CD na segunda metade dos anos 80, em 2012 surgiu uma versão “extended”, ainda em CD, com um segundo disco com temas extra. Desde 2014 têm surgido reedições em vinil de 180 gramas com o álbum original.

Da discografia das Supremes vale a pena descobrir discos como:
“Where Did Our Love Go” (1964)
“The Supremes A’ Go-Go” (1966)
“Love Child” (1968)

Se gostou, experimente ouvir:
Diana Ross
Martha & The Vandellas
Gladys Knight & The Pips

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