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30. Nina Simone (1966)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em setembro de 1966 e nasceu de uma série de temas deixados de lado em sessões de gravação que tinham gerado álbuns lançados em 1964 e 65 por Nina Simone. Poucos imaginariam que ali nasceria um disco deste calibre…

Nina Simone esteve ligada à Phillips entre 1964 e 1967, período que assistiu à edição de sete novos álbuns, o primeiro dos quais nascido de uma série de gravações ao vivo captadas no Carnegie Hall em março e abril do primeiro ano deste intervalo, o último correspondendo ao clássico “High Pristress Of Soul” no qual a cantora registou um momento marcante na história da emergente música soul, vincando, contudo, uma sempre evidente presença próxima do jazz. Alguns dos discos que nasceram neste período apresentaram alinhamentos esteticamente bem coordenados, seja quando visita cancioneiros do teatro musical em “Broadway Blues Ballads” (1964) ou quando mergulha, mais do que o fizera até então, nos terrenos da canção pop(ular), em “I Put A Spell on You” (1965), álbum no qual registou uma arrebatadora versão de “Ne Me Quittes Pas”, de Jacques Brel. Das sessões que geraram os discos editados pela Phillips entre 1964 e 1965 houve uma série de temas não inicialmente chamados aos alinhamentos desses discos. Quem diria que, da reunião de algumas dessas “sobras”, nasceria um dos melhores álbuns da discografia de Nina Simone?

Assim aconteceu, sendo logo destacado pela imprensa quando chegou às lojas. Editado em setembro de 1966 “Wild Is The Wind” representa uma bem arrumada seleção de temas que tinham acabado de fora dos alinhamentos de álbuns anteriores. O tom romântico sugerido pelo mood melancólico do alinhamento sugeriu um ambiente que cruza as canções de fio a pavio, promovendo o alinhamento, tal como o fizera “I Put A Spell On You”, um espaço de encontro entre a alma jazz de Nina Simone e a presença de espaços da música popular do seu tempo, lançando claramente pistas para o desafio que chegaria porco depois no histórico álbum de 1967.

O título do álbum surgiu de uma versão de uma canção de Dimitri Tiomkin e Ned Washington inicialmente interpretada no cinema, em 1957, por John Mathis, e já gravada por Nina Simone no álbum “Live At Town Hall” em 1959, mas à qual aqui deu um cunho tão pessoal que a ela tantas vezes acaba atribuída a génese da canção. O próprio David Bowie, quando assina uma leitura sua de “Wild Is The Wind” (no álbum de 1976 “Station to Station”) não deixa nunca de apontar Nina Simone como sendo uma grande referência. Outra canção deste disco, “Lilac Wine”, conheceria outra vida de peso significativo na história futura da cultura pop/rock através de uma versão na voz de Jeff Buckley no álbum “Grace”. Um dos momentos mais pungentes do álbum surge logo em “Four Women”, canção da própria Nina Simone que traça o retrato de quatro mulheres afro-americanas e na qual se inscreve uma das várias manifestações da importante faceta ativista que a cantora assumiu em diversas etapas do seu percurso.

“Wild Is The Wind”, de Nina Simone, teve edição original em 1966 pela Phillips. Edições em CD chegaram através da Verve a partir de 2006. Mais recentemente têm surgido novas prensagens em vinil. Capa e alinhamento foram sempre respeitados.

Da discografia de Nina Simone vale a pena descobrir discos como:
“Nina Simone at Town Hall” (1959)
“I Put A Spell On You” (1964)
“High Pristress of Soul” (1967)

Se gostou, experimente ouvir:
Billie Holliday
Sarah Vaughan
Ella Fitzgerald

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