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A tarde em que a voz de Joni Mitchell calou uma multidão

Texto: NUNO GALOPIM

No dia em que se assinala o 75º aniversário de Joni Mitchell fica a proposta de (re)descoberta de memórias da sua histórica passagem pelo Festival da Ilha de Wight em 1970. O documentário de Murray Lerner junta como extra a possibilidade de ver apenas as imagens da atuação.

A edição de 1970 do Festival da Ilha de Wight (a última do trio que ali teve lugar depois de 1968) juntou uma multidão de pelo menos 600 mil espectadores perante um dos cartazes mais incríveis de todos os tempos. Entre os dias 26 e 31 de agosto passaram por ali nomes como os Doors, Miles Davis, os Moody Blues, Joan Baez, Jimi Hendrix, The Who, Sly & The Family Stone, os Free ou Leonard Cohen. Os Supertramp, quase estreantes, passaram por ali. Exilados no Reino Unido, Caetano Veloso e Gilberto Gil também figuraram entre os que fizeram desta edição um palco inesquecível. Entre os muitos que fizeram a história de um festival que tanto nos deu grandes momentos de música ao vivo como instantes de turbulência entre o público conta-se a atuação histórica de uma voz única que, apesar da quase solidão de uma atuação para voz e guitarra, ocasionalmente trocando as seis cordas pelo piano, conseguiu silenciar uma plateia agitada, oferecendo em troca um alinhamento pelo qual passam alguns grandes clássicos da etapa inicial da sua carreira. A voz de que falo era a de Joni Mitchell, cantora de origem canadiana que hoje celebra o seu 75º aniversário. E entre os presentes que nos deixa para assinalar esta data conta-se uma edição em Blu-ray de “Both Sides Now”, documentário de Murray Lerner que recorda precisamente essa sua atuação na Ilha de Wight em 1970.

Inicialmente escalada para atuar de noite, Joni Mitchell foi convocada para entrar em palco em plena luz do dia, a meio da tarde, e numa altura em que os mais de 600 mil que faziam aquela vasta plateia estavam longe de ser a mais tranquila das companhias. O embate não foi fácil. Houve até uma invasão de palco com um homem a criticar a comercialização da música, clamando que devia ser grátis… E o filme mostra como as canções aparentemente frágeis de Joni Mitchell venceram o momento, sem ignorar que houve palavras da própria cantora que ajudaram a fazer o silêncio. “Vocês parecem um bando de turistas!”, disse então Joni Mitchell, como quem lança o mais afiado dos palavrões… E não é que se calaram?

As onze canções, entre as quais estão temas como “California”, “Big Yellow Taxi”. “Both Sides Now”, “Chelsea Morning” ou “Woodstock” (e Joni Mitchell explica aos presentes que não esteve nesse outro festival que fez história em julho de 1969) são delícia gourmet que estas imagens ajudam a fixar, oferecendo o Blu-ray a hipótese, como extra, de ver apenas o concerto.

A edição em Blu-ray do registo da passagem de Joni Mitchell pela Ilha de Wight junta-se a uma série de lançamentos em áudio e vídeo que têm vindo a colocar memórias desta edição do festival nas discografias e videografias de grandes carreiras. Depois dos The Who, Miles Davis, Leonard Cohen, Jimi Hendrix, The Doors e outros mais, chegou a vez de juntarmos (e bem) Joni Mitchell a este grupo.

“Joni Mitchell: Both Sides Now – Live at The Isle of Wight Festival 1970”, de Murray Lerner, está disponível em DVD e Blu-Ray, numa edição da Eagle Rock

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