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33. David Bowie (1967)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em 1967 e representou a estreia em álbum de David Bowie, dois anos antes do LP “Space Oddity” que tantas vezes é erradamente tomado como o seu primeiro. Na altura passou longe das atenções mas mostrou que havia já aqui uma demanda pessoal.

“David Bowie”, álbum de estreia de David Bowie, representou uma mudança desejada depois de uma sucessão de seis ineficazes singles editados entre 1964 e 66, alguns em primeiras bandas, os três últimos surgidos a solo e lançados pela PYE Records (e recentemente reunidos sob capa comum como “Bowie 1966”). Lançado sob novo acordo com a Dearm, um selo associado à Decca, David Bowie foi editado em junho 1967. Poode ter sido mais um aparente tiro em falso, já que o disco se mostrou então incapaz de chamar a atenção de um público comprador de discos. Mas, revelando no seu âmago um interessante híbrido de tradições do teatro musical e um sentido algo barroco na cenografias das canções, definiu no músico uma rota de descoberta e assimilação de genéticas exteriores ao rock’n’roll que acabariam por afirmar a diferença e invulgar abertura posterior de Bowie a outros estímulos.

Canções como “Love You Till Tuesday”, “When I Live My Dream” ou “Rubber Band”, ou mesmo o algo embaraçoso “The Laughing Gnome” (tema exterior ao alinhamento do álbum, mas editado como single em abril de 1967, ou seja, seu contemporâneo), mostram um Bowie centrado numa firme demanda pessoal. Claramente egocentrado, mutante, cenograficamente inteligente, e já capaz de dominar a escrita de canções. Se o mundo pop/rock ia por outros lados, ele mesmo escolheria o seu. E logo aqui vincava pela primeira vez uma ânsia de explorar, deixando para trás os episódios (em single) nos quais havia caminhado atrás de caminhos trilhados pelas modas em vigor.

O sucesso, curiosamente, chegaria mais tarde, com nova gravação (já em 1969) de “Space Oddity”, um tema que nasce por alturas do primeiro álbum e que chega a conhecer primeira visibilidade no filme “Love You Till Tuesday”, que o manager Ken Pitt engendra como estratégia promocional.

À distância de 40 anos, muitas são as opiniões que defendem que só o desinteresse da Deram em promover o disco justificou o seu fracasso comercial. Elogiado pela crítica, nascia, apesar das aparentes diferenças à superfície dos sons, num tempo em que o mundo da pop inglesa descobria pequenas canções de personalidade narrativa. O ecletismo musical revelado pelo álbum, cruzando heranças folk com cenografias colhidas no vaudeville e um sentido de composição de espaço não estranho aos dias do psicadelismo, é finalmente reconhecido como uma marca de personalidade em busca de um espaço próprio. Curiosamente, David Bowie é hoje o tesouro maior do catálogo de reedições da extinta editora que então o quase ignorou.

“David Bowie” surgiu originalmente em formato de LP pela Deram, chegando ao mercado com versões em mono e estéreo. As primeiras edições em CD chegam nos anos 80, mais adiante surgindo outras que juntaram temas extra, seja fazendo coexistir misturas mono e estéreo, como acrescentando lados a e b de singles da curta etapa na qual Bowie esteve associado à Dream. Recentemente surgiram novas reedições em vinil, uma delas no formato de duplo LP com as misturas mono e estéreo do alinhamento original.

Da discografia de David Bowie vale a pena descobrir discos como:
“Hunky Dory” (1971)
“Low” (1977)
“Black Star” (2017)

Se gostou, experimente ouvir:
Anthony Newley
Syd Barrett
Tommy Steele

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