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35. Françoise Hardy (1967)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em 1967 e representou o momento em que Françoise Hardy transitou dos espaços da canção yé yé para mergulhar na etapa mais criativa de toda a sua discografia. John Paul Jones e Jacques Dutronc são dois dos seus colaboradores neste álbum.

Chegados a 1967 a jovem cantora que ascendera meteoricamente à fama depois de ter estreado televisivamente, numa noite de eleições em 1962, a canção que seria o seu maior êxito global (“Tous Les Garçons et Les Filles”, que a transformaria num dos rostos do yé yé francês) era já uma certeza sólida da cena pop europeia. Uma passagem pelo Festival da Eurovisão (em 1963, em representação do Mónaco, ainda demasiado cedo face ao boom de juventude que chegaria nos dois anos seguintes ao concurso) e o sucesso internacional desse seu primeiro êxito tinha-na elevado a um patamar de popularidade, com um reconhecimento cimentado por discos seguintes nos quais fora ensaiando e aperfeiçoando um trabalho autoral que não escondia uma admiração pelas figuras que então mais inspiravam a escrita pop/rock anglo americana e que, por sua vez, era já capaz de exercer fascínio por músicos de outras paragens (Nick Drake seria um deles, precisamente numa viagem que fez a França em 1967).

Françoise Hardy tinha já seis álbuns editados quando, em 1967, define um novo modelo de trabalho para a sua música e aqueles que consigo trabalharam. Era uma primeira tentativa de independência (que na verdade só ganharia expressão realmente efetiva um pouco mais adiante) mas que mostrava sinais de que à afirmação de identidade autoral havia em si um desejo de tomar as rédeas do destino empresarial da sua carreira. Estava à frente do seu tempo, de facto.

Musicalmente o disco que assinala esta primeira procura de independência resulta num jogo entre a continuidade face ao seu trabalho nos últimos tempos e a descoberta, então recente, daquele que seria um importante parceiro (na vida e na música): Jacques Dutronc. Este outro cantor e compositor seria ali um dos colaboradores num álbum que mostra contudo uma presença marcante da presença de uma orquestra, na esmagadora maioria dos temas sob arranjos e direção de Charles Blackwell. Em “Volià”, balada elegante e orquestral que é uma das peças centrais do alinhamento (e tema de abertura do EP que anunciou a chegada do álbum antes da sua edição) a orquestra é entregue a Jacques Denjean. Em “En Vous Aiment Bien” e “Mais Il Y a Des Soirs” a direção de orquestra coube a John Paul Jones que, um ano depois, integraria a formação original dos Led Zeppelin.

Mesmo sem representar um momento de rutura face ao trabalho anterior, “Ma Jeunesse Fout le Camp” é o disco que assinala a transição da etapa mais juvenil da obra de Françoise Hardy e abre caminho aos seus melhores discos. Ao contrário de muitas outras figuras da sua geração sobrevivia assim ao sucesso yé yé pelo vincar de uma personalidade que, tal como Serge Gainsbourg (com quem colaboraria pouco depois), criou sólidas pontes de diálogo entre os universos da canção pop e a música francesa do seu tempo.

“Ma Jeunesse Fout Le Camp”, de Françoise Hardy, teve edição original pelos Disques Vogue em 1967. Houve reedições em CD nos anos 90 reproduzindo tanto a capa como o alinhamento originais. Em 2016 o álbum teve nova prensagem em vinil.

Da discografia de Françoise Hardy vale a pena descobrir discos como:
“Françoise Hardy” (1968) – habitualmente referido como “Comment te Dire Adieu”
“Françoise Hardy” (1970) – habitualmente referido como “Soleil”
“Françoise Hardy” (1971) – habitualmente referido como “If You Listen”

Se gostou, experimente ouvir:
Jane Birkin
Brigitte Bardot
Carla Bruni

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