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As melhores séries de 2018 (nº 1)

Entre a cada vez mais vasta oferta de produção para o pequeno ecrã aqui ficam dez exemplos que nos chamaram a atenção em 2018. Aqui as vamos revelar uma a uma, em contagem crescente.

1. “Alemanha 83”, de Anna e Joerg Winger
(RTL)

A primeira série em língua a alemã a passar num ‘network’ norte-americano, “Alemanha 83” mostrou mais do que uma trama de espionagem nos tempos da Guerra Fria. A série tem como protagonista um jovem alemão de leste que é recrutado para missões da divisão internacional da Stasi na Alemanha Ocidental. É colocado como ajudante de campo de um general ligado a altas hierarquias dos programas de defesa ocidentais. Mas é entre a família de ambos e daqueles que orbitam ao seu redor que emerge uma trama que é mais do que um mero jogo de espiões. O mais saboroso dos elementos é, contudo, a música. A banda sonora não só tem toma “Major Tom” de Peter Schilling como música do genérico, como procura a cada episódio colocar em cena temas que se poderiam ter escutado por aqueles dias. Por exemplo, quando o protagonista compra um ‘walkman’ a cassete que lá está dentro faz tocar “Hungry Like The Wolf” dos Duran Duran. Logo nos primeiros episódios escutamos David Bowie, Eurythmics, New Order e, claro… Nena. A narrativa olha personagens e os contextos tendo criou um fenómeno que, entretanto, gerou já a sequela “Deutschland 86”, falando-se de uma terceira temporada com o título “Deutschland 89” (e vale a pena lembrar que 89 foi o ano da queda do muro). – Nuno Galopim

2. “Sara”, de Bruno Nogueira / Marco Martins
(RTP)

“Queriam o quê? Telenovela?”. Foi assim que João César Monteiro, numa entrevista para a televisão, respondeu sobre as críticas ao seu penúltimo filme, “Branca de Neve”. Dezoito anos depois, Sara olha para esta mesma telenovela, em todas as suas múltiplas dimensões (não esqueceu, por exemplo, esta coisa a que nós chamamos redes sociais), com uma voracidade e sagacidade únicas. Partindo de uma ideia de Bruno Nogueira, realizado por Marco Martins (que conhecemos de “Alice” ou “São Jorge”) e com um elenco riquíssimo, a série da RTP conta apenas oito episódios: acompanhamos a atriz de cinema Sara (Beatriz Batarda), que foi aconselhada a experimentar fazer telenovelas, após a incapacidade de chorar durante a rodagem de um filme dramático. E tudo a partir daqui, desde a cinematografia até ao acutilante argumento, torna “Sara” o mais brilhante produto transmitido no pequeno ecrã português. Ah, claro, e nas plataformas digitais. Mas atenção: está disponível no RTP Play apenas até ao próximo dia 18. – Gonçalo Cota

3. “Marte”, de Ben Young Mason e Justin Wilkes
(National Geographic)

Se na primeira temporada se sentia alguma cautela na dotação de um orçamento capaz de competir com as representações da vida em Marte do recente filme de Ridley Scott, o sucesso desses episódios permitiram à série crescer em ambição no plano visual. Narrativamente a segunda temporada parece também mais estimulante já que, com a ação projetada no ano 2046 (ou seja, a colónia inicial já se instalou e prosperou), a trama assiste à chegada de um segundo grupo que, ao invés do primeiro, não provém de agências espaciais mas de uma empresa privada (com o sugestivo nome Lukrum). Do confronto entre quem ali chegou pela ciência e quem pode trazer novos objetivos e éticas a Marte nasce uma tensão que mostra, tal como sucedeu na brilhante trilogia marciana de Kim Stanley Robinsion (uma das melhores obras de literatura sobre o planeta vermelho mas até hoje sem tradução entre nós), como, mesmo estando num mundo novo, os seres humanos carregam para todo o lado as suas contradições terrenas. – N.G.

4. “1983”, de Joshua Long
(Neflix)

Imaginemos um mundo em que os acontecimentos registados afinal não aconteceram… Uma série de ataques terroristas abalam Varsóvia e Cracóvia em 1983. E, vinte anos depois, o mapa geopolítico não é o que conhecemos. O regime afinal não caiu e o país vive sob uma ordem vigiada, sem liberdade de expressão (há livros proibidos). Al Gore é afinal o presidente dos EUA e a Cortina de Ferro ainda subsiste. A evolução da trama vai revelando o contexto. O aparente suicídio de um jovem que imprimia livros ilegalmente é o ponto de partida para uma trama densa e tensa que explora não apenas os valores que as narrativas de história alternativa podem colocar em cena mas também os condimentos de distopia, medo e factos escondidos que vão revelando, pouco a pouco, verdades pouco sorridentes. A primeira série polaca na plataforma Netflix chega, curiosamente, num tempo em que as noções de liberdade que progrediram entre a cultura ocidental na segunda metade do século XX vivem sob sombras de novas ameaças. – N.G.

5. “Handmaid’s Tale”, de Bruce Miller
(Hulu)

É hábito dizer que quando atiramos um sapo para uma panela com água quente ele salta e sai. Se o colocarmos em água fria e, a pouco e pouco, a aquecermos, o sapo morre cozido. Mas e se esta panela for um governo tão totalitário que não exista qualquer tipo de liberdade individual, que alternativa temos a não saltar? Esta é a premissa de “Handmaid’s Tale”: a de olhar o estado fundamentalista cristão de Gileade (anteriormente parte dos Estados Unidos da América) pelas lentes de Offred (Elizabeth Moss), uma mulher obrigada a conceber filhos para a elite política deste novo estado, onde a baixa natalidade e infertilidade se revelam críticas. E se na primeira temporada, a série segue tal qual a trama estabelecida por Margaret Atwood (autora do livro homónimo, editado a meio da década de oitenta) a segunda temporada, que estreou na plataforma Hulu em abril deste ano, vem agora desenhar um caminho possível (a trama da primeira temporada termina tal qual o fim do livro), um caminho mais violento, cru e pornográfico, num avançar definitivo das potencialidades narrativas que a bem sucedida construção de personagens permite e das suas possíveis movimentações dentro deste mundo distópico – que se enriquece com a banda sonora, onde constam, por exemplo, Arca, Kate Bush ou Dusty Springfield. “Handmaid’s Tale” permito-nos também escutar os ecos políticos do presente, perspetivar as consequências sociopolíticas do último par de anos, perceber que o cálido e húmido charco pode ser, na verdade, o início da ebulição da panela. – Gonçalo Cota

6. “O Melhor Amigo do Homem”, de Glen Zipper e Amy Berg
(Netflix)

Esta série de seis episódios da Netflix criada por Glen Zipper e Amy Berg (Livrai-nos do Mal, 2006) centra-se nos laços de afeto que se estabelecem entre as pessoas e os cães. Mas “Dogs” não se limita a ser uma série documental “fofinha” sobre o melhor amigo do homem, apostando antes em histórias de vidas às vezes difíceis em que os cães desempenham um papel de uma importância decisiva. Como no caso de uma menina com epilepsia cuja família adquire um cão de serviço treinado para detetar um ataque epiléptico e lançar o alerta, e mitigando também a solidão de alguém com uma saúde frágil que obriga a grande vigilância e a uma certa reclusão. Ou como na emocionante história de um refugiado sírio a viver em Berlim que deixou Zeus, o seu amado husky, à guarda de um amigo leal numa Damasco devastada pela guerra e que aguarda com ansiedade pela reunião. – Nuno Carvalho

7. “Killing Eve”, de Phoebe Waller-Bridge
(BBC America)

Se um dos critérios para avaliar uma série é a capacidade de nos deixar colados ao ecrã durante horas quando devíamos era estar a pôr as lãs no ciclo suave da máquina de lavar, então “Killing Eve” leva nota máxima. A sua força reside nas personagens centrais: Eve é uma agente dos serviços secretos ingleses que se vê subitamente “promovida” do trabalho de escritório para o trabalho de campo em perseguição da assassina internacional Villanelle. O amadorismo intuitivo de uma e o profissionalismo tresloucado de outra torna-as antagonistas hilariantes. O fascínio pessoal entre caçadora e presa (quem é quem?) leva a que rapidamente ambas se vejam envolvidas num jogo de perseguição mútua que ignora todas as fronteiras. A caça torna-se sedução, espalha-se por todo o continente europeu, entra-lhes pela casa dentro e não deixa nada intacto. Alicerçada nos desempenhos notáveis de Sandra Ho e Jodie Comer, “Killing Eve” é uma série que não reinventa a roda mas que ocasionalmente sabe meter o pé no acelerador e ir para além das expectativas. Rimos e saltámos no sofá. Não se pode pedir muito mais… ah, sim, pedimos mais meia-dúzia de temporadas, se faz favor! – Daniel Barradas

8. “Black Mirror”, de Charlie Brooker
(Netflix)

Com um conjunto de seis novos episódios lançado ainda na reta final do ano passado (27 de dezembro), “Black Mirror” parece querer de facto confirmar-se como a grande herdeira atual de séries “antológicas” marcantes na história das representações do fantástico na ficção televisiva como o foram “Twilight Zone” ou “The Outer Limits”. A nossa relação com a tecnologia, procurando habitualmente pontos de vista que podem amplificar zonas mais sombrias e possibilidades perturbantes, frequentemente desenhando tramas que podemos arrumar no grande livro das distopias, continuou a alimentar boas ideias e, de resto, a coisa está viva e junta agora (em finais de 2018) mais elementos a um mundo que continua a crescer… O primeiro episódio da quarta temporada de “Black Mirror” citou o universo de “Star Trek” num aparente tom de comédia para, depois, nos transportar para uma trama numa dimensão bem mais asssutadora. Foi apenas mais um bom exemplo da vitalidade narrativa que continua a caminhar por aqui. – N.G.

9. “13 de Novembro – Terror em Paris”, de Jules e Gédéon Naudet
(Netflix)

Uma minissérie documental disponível na Netflix recorda os acontecimentos de 13 de novembro de 2015 em Paris usando um dispositivo narrativo que mostra como a força das palavras pode contrariar as tendências mais em voga na era da comunicação visual instantânea. O documentário, em três episódios, arruma as memórias por ordem sequencial dos acontecimentos. Começa com a manhã de um dia aparentemente comum. Nota, pelas vozes de quem então ali estava, e já ao cair da noite, a presença de figuras com uma postura intrigante nas imediações do estádio. E depois os estrondos. Hollande estava no estádio quando ocorreram essas duas primeiras detonações. Entre as bancadas estava um filho seu… Discretamente, mal avisado do sucedido, retirou-se para acompanhar a evolução. Ouvimo-lo… Mas daí em diante a câmara opta por olhar o relato das recordações de quem sobreviveu aos atentados ou socorreu as vítimas, seguindo as imagens o rumo geográfico da evolução dos terroristas e os cenários de matança que foram deixando como rasto. – N.G.

“10. Safe”, de Harlan Coben
(Netflix)

De produção britânica, apesar de protagonizada por um ator norte-americano, Safe é daquelas séries que não deixam que o episódio termine sem que se avance logo pelo seguinte… Criada por Harlan Coben, autor de thrillers habitualmente recheados de narrativas que cruzam tempos diferentes, “Safe” é a história do estranho desaparecimento de uma jovem que habita numa das moradias de um condomínio fechado, no qual, supostamente tudo e todos estariam seguros. A figura central de todo o projeto é o ator norte-americano Michael C. Hall, que depois de “Seis Palmos de Terra” e, sobretudo, “Dexter”, tem aqui terreno para inscrever um novo capítulo de destaque na sua filmografia. A série assenta as suas forças na construção de uma narrativa que evolui num espaço e tempo relativamente fechados, utilizando as estratégias de gradual revelação das personagens e dos factos como mecanismo para ir construindo a teia de acontecimentos que valoriza o efeito da surpresa. – N.G.

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