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O primeiro álbum dos Led Zeppelin faz 50 anos

Texto: NUNO GALOPIM

Entre os frutos das paixões pelos blues que foram surgindo entre bandas rock britânicas nos anos 60 emergiu, em finais de 1968, um quarteto que se estrearia em disco a 12 de janeiro de 1969. Chamavam-se… Led Zeppelin.

Chegou às lojas de discos a 12 de janeiro de 1969… A capa mostrava uma imagem de um acidente trágico ocorrido em 1937 com o ‘zeppelin’ Hidemburgo, que se incendiou à chegada da primeira viagem de uma segunda temporada de travessias atlânticas, em 1937. A intensidade da imagem não podia ser melhor forma de materializar visualmente a força da música que se guardava no álbum em vinil que a capa guardava. Chamava-se simplesmente “Led Zeppelin”, o álbum de estreia de uma banda com o mesmo nome que hoje reconhecemos ser um caso maior na história do rock. Na altura foi, contudo, inicialmente recebido com entusiasmo de dieta, chegando mesmo a ser comparado, em desfavor, face ao Jeff Beck Group que, tal como os Led Zeppelin, representava uma das descendências dos Yardbirds (por onde tinha passado Jimmy Page).

A história dos Led Zeppelin, cujo primeiro capítulo se pode contar através das faixas deste seu álbum de estreia editado há meio século, nasce precisamente da dissolução dos Yardbirds em 1968. Com alma alimentada por uma paixão pelos blues, o grupo – que em tempos tinha acolhido Eric Clapton – apresentara em 1967 o álbum “Little Games” no qual já não participara Jeff Beck, cabendo a Page o protagonismo como guitarrista. Por esses dias, e sobretudo ao vivo, o grupo procurava desafios, muitas vezes na improvisação. Eram então um quarteto mas, em pleno verão, acaba dividido a meio. Page ainda procurou manter o projeto ativo mas, reduzido a si mesmo depois da partida de mais um elemento), juntou uma nova formação que então partiu para uma digressão escandinava sob o nome The New Yardbirds. Quem ia consigo? Robert Plant (recomendado por Terry Reid, que recusara o lugar) era o vocalista. John Bonham, um amigo de infância de Plant, tomava o lugar de baterista. E como baixista e teclista surgia John Paul Jones, um já velho colaborador de Page… De regresso ao Reino Unido resolveram trocar de nome… Passavam então a chamar-se Led Zeppelin.

Ainda sem terem assegurado um qualquer contrato editorial entraram em estúdio mal regressaram da digressão escandinava. E em apenas 36 horas de estúdio – espalhadas nas semanas seguintes – tinham um primeiro álbum gravado, o que se explica pelo facto de terem optado por captar as canções como se as estivessem a apresentar ao vivo, aproveitando a rodagem que a estrada dera a todos estes temas em setembro de 1968.

Há no alinhamento ecos de sinais dos tempos, nomeadamente um reflexo do entusiasmo de uma cena blues que na reta final dos anos 60 cativava substanciais atenções no Reino Unido. Versões de “You Shook Me” e “I Can’t Quit You Baby”, de Willie Dixon, são disso um exemplo. Ao mesmo tempo o impacte da cena folk – que também jogava cartas fortes por esses dias – ganhava forma numa versão de “Baby I’m Gonna Leave You”, uma canção de Anne Bredon nos anos 50 que Robert Plant havia descoberto na voz de Joan Baez.

É, contudo, entre os originais que emergem os sinais de personalidade mais visionários. E se o apelo quase pop do refrão de “Good Time Bad Times” (depois escolhido para edição em single) alerta sobretudo atenções para uma nova intensidade elétrica, já canções como “Dazed and Confused” (de Page, mais tarde apresentada como partindo de uma inspiração sobre música de Jake Holmes) ou “How Many Times More” abrem alas a espaços de experimentação que não se limitam a juntar peças pioneiras ao hard rock mas também a juntar novos horizontes, agora com genética mais evidente nos blues, às possibilidades exploratórias que o rock vinha a experimentar desde o surto de cores e formas lançado pelo psicadelismo.

O tempo faria deste álbum um clássico sendo frequentes as listas e relatos históricos sobre as fundações estruturais da música rock que o apontam entre os títulos de referência… Há meio século o mundo descobria esta música numa prensagem em vinil que representava uma das primeiras edições a usar exclusivamente o estéreo. A experiência sonora era intensa… E gourmet.

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