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Claridade e maresia apontam novos rumos para Panda Bear

Texto: NUNO GALOPIM

Os lugares têm um efeito na criação que neles acontece. E no que pode ser o início de um novo ciclo estético para Panda Bear, os anos que tem já de vida entre a luminosidade lisboeta e o travo a maresia que domina a cidade parecem agora ter eco entre as canções do seu belo novo disco.

Data de 2007 a edição de “Person Pitch”, disco a solo de Panda Bear que assinalou primeiros ecos (e sobretudo luminosidade) de uma nova vida encontrada em Lisboa e cuja visão plástica e métodos de trabalho teriam impacte evidente nos caminhos seguintes tomados pelos Animal Collective, com resultados maiores alcançados pouco depois no (já) clássico “Merriweather Post Pavillion”. Se entre os Animal Collective as demandas subsequentes mostraram novos episódios de procura de possíveis novos caminhos (porém não tendo o grupo ainda encontrado visões tão desafiantes e consequentes como as que foram foixadas em disco entre “Sung Tongs” e esse álbum maior acima citado), já a solo Panda Bear aprofundou nos seus discos seguintes as possibilidades da exploração do trabalho de criação em camadas e rico em texturas que “Person Pitch” levantara. Até que chegou a hora de mudar os azimutes da experimentação. E “Buoys” é feliz exemplo de que, logo à primeira, o tiro foi certeiro.

Há aqui um reencontro com Rusty Santos, o mesmo produtor que com ele trabalhara precisamente em “Person Pitch” e no anterior (e menos mediatizado “Young Prayer”) assim como com os Animal Collective, nomeadamente em “Sung Tongs”. Esse reencontro definiu caminhos para canções que vincam, mais do que nunca, uma vivência numa cidade de luz e mar por perto. Ecos da guitarra (que nunca é demasiado presente, mas deixa clara a sua presença) são aqui peça estrutural em canções que trocam a lógica de adição vertical em camadas por uma noção de espaço mais plano e vasto. Eletrónicas e efeitos, que exploram estruturas repetitivas, acrescentam acontecimentos que ajudam a definir outros caminhos possíveis para uma composição que não perde a sua identidade, cabendo também à voz o papel de reforçar da demarcação do território autoral.

DJ Lizz (do Chile) e Dino d’Santiago são colaboradores neste conjunto relativamente curto de nove canções bem acessíveis que, em pouco mais de meia hora, sugerem que, depois das descobertas de há uma dúzia de anos, Lisboa se tornou ponto de partida para a inspiração de uma das grandes vozes do panorama indie do nosso tempo. E tudo isso com claros sinais de que a nova busca estética está já dar bons resultados. Placidez, luz, claridade, com um travo a maresia sempre por perto, moram entre estas canções.

“Buoys”, de Panda Bear, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Domino. ★★★★

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