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Uma nova luz brilha entre as canções pop de C Duncan

Texto: NUNO GALOPIM

Ao terceiro álbum as canções de C Duncan saem do quarto e contemplam novos desafios. As palavras são menos abstratas, mais frontais. E a música procura aquele espaço entre a melancolia (que a voz sublinha) e a procura da luz. Canções pop para quem não quer viver sob a tendência do momento.

Estudou composição e teve um início de carreira que viu peças por si compostas a ser interpretadas em salas de concerto do Reino Unido. C Duncan – com “C” de Christopher – apresentou em 2015 um primeiro álbum de canções pop que revelavam uma alma pastoral mas que seguiam também os rumos de uma certa dream pop contemporânea. Eram canções nascidas no quarto do próprio músico, laboriosamente gravadas por etapas, instrumento após instrumento, trabalhando os sons por camadas (a própria voz inclusivamente), assegurando o primor de uma discreta mas arrumada produção uma limpidez que fazia de “Architect” um ciclo de canções de formas bem nítidas e sedutora. E que chegou mesmo a conquistar uma nomeação para o Mercury Prize.

Um ano depois editou “The Midnight Sun”, um disco sombrio, ainda mais atento aos diálogos entre a o trabalho de composição e o detalhe na produção. C Duncan falava-nos dessa vez de memórias, muitas delas de perda, algumas mais distantes outras mais próximas. E, em sintonia com as narrativas, os cenários serviam a construção de um espaço que, mais ainda do que no álbum de estreia, ali definiam um corpo coeso e consequente.

Agora chega um terceiro álbum que, se por um lado retoma aquela melancolia luminosa dos finais de tarde de verão do disco de estreia, por outro lança as ideias para um espaço de horizontes mais largos. E coloca-nos perante um agradável confronto decididamente mais frontal consigo mesmo.

As canções deixaram o conforto do quarto e rumaram a outras possibilidade, facto que a chamada de alguém para assumir a divisão do trabalho de produção de resto confirma. Craig Potter (dos Elbow) surge aqui como um parceiro de trabalho e, com ele, a presença de estímulos de desafio que asseguram a libertação da música da intimidade absoluta em que até aqui vivera.

Nada disto implica, contudo, mutações maiores numa voz criativa que parece viver numa região artística claramente demarcada. De resto, há em “Health” uma nítida expressão de continuidade na vontade em criar uma música pop que foge aos ditados da moda e que procura lugares de encontro entre a alma melancólica que as cria e um gosto pela luz e pela cor que gera os contrastes que habitam estas canções. As eletrónicas continuam a ter um papel evidente e os diálogos com outros timbres alargaram-se. Mas é no modo de encarar os temas, ao falar sem ocultar com abstrações a sua identidade em canções que abordam, de forma mais clara que até aqui, questões como a ansiedade, o amor ou a sexualidade, que C Duncan faz de “Helth” um disco que, já sem a carga de surpresas das descobertas de há quatro anos, consegue encontrar novas rotas para seduzir pela canção. Uma bela coleção de canções. Pop. Sim, pop.

“Health”, de C Duncan, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Fat Cat
Records


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