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O tríptico pop de Robyn agora em formato de duplo vinil branco

Texto: NUNO GALOPIM

Já com uma carreira feita na Suécia, e com um primeiro álbum de impacte internacional obtido em 2005, a sueca Robyn lançou em 2010 três EP que cimentaram a sua visão e lugar no panorama atual da música pop. Por ocasião do Record Store Day os três discos surgiram reunidos num duplo LP em vinil branco. E com um inédito.

Não foram um nem dois… Foram três os discos que a sueca Robyn lançou em 2010, formando um tríptico unido sob a designação Body Talk. O tríptico confirmou então as expectativas (e eram muitas) de quem então esperava pelo sucessor do disco homónimo que, editado na Suécia cinco anos antes, fora gradualmente chegando a outras paragens, captando a atenção de Madonna (para quem fez primeiras partes numa digressão que passou por Lisboa) e inscrevendo “With Every Heartbeat” tanto entre a lista das grandes canções pop da primeira década do século como lhe deu posições de destaque em tabelas de vendas em diversos territórios. Body Talk Pt. 1, a parte um do tríptico, voltava logo a mostrar como era possível talhar uma carreira na pop entre a vontade de explorar identidade e relacionamentos com a linha da frente da invenção e, em simultâneo, abrir uma relação de comunicação com o circuito mainstream. O “rebuçado” popular servia-se em “Dancing On My Own”, canção pop electrónica com alma luminosa com um potencial de sedução em várias latitudes. Sem vetar nunca a presença à possibilidade de manter essa mesma relação com um público mais vasto no resto do alinhamento, o certo é que o disco fazia questão de marcar terreno com sinais que, seja no pulsante dinamismo electro de “Dont’t xxxxxxx Tell Me What To Do”, a colaboração com Diplo em “Dancehall Queen” ou a revisitação da memória tradicional sueca em “Jag Vet En Dejlig Rosa”, sublinhando uma relação primordial com uma identidade atenta aos caminhos da invenção no presente.

Pouco depois “Body Talk – Pt. 2” mostrava uma evidente continuidade face ao que o primeiro volume havia proposto algumas semanas antes. Na verdade não havia ali substanciais novidades, notando-se as maiores diferenças num alinhamento exclusivamente cantado em inglês, num dueto com Snoop Dog e uma ainda mais evidente relação com as dinâmicas da música de dança. Outra das novidades era a nova forma em que se apresentava, e então com viço pop, o tema “Hang With Me” originalmente revelado como balada no volume 1. Na verdade o alinhamento de “Body Talk – Pt. 2” revelava uma coleção de canções mais próximas do sentido de coesão de um álbum definido por uma ideia herdeira em todos os sentidos de uma escola atenta a uma noção clássica de melodismo pop e da sua interação com as novas tecnologias, bem como com as arquiteturas rítmicas assimiladas por um conhecimento da música de dança. Robyn afirma-se assim, cada vez mais, uma seguidora, com personalidade e identidade demarcadas, de um paradigma que os Pet Shop Boys têm vindo a desenvolver ao longo dos últimos 35 anos, deles fazendo uma das mais influentes forças na história da música pop.

Meses depois a promessa de um três em um acabou de facto cumprida. E o que então parecia a conclusão da história contava-se no terceiro disco, na verdade um EP no qual são apresentados mais cinco inéditos. “Indistructible”, que abre o alinhamento, colocava em cena mais uma pérola de escrita pop segundo uma linguagem já muito característica da cantora (sucedendo assim a temas como “Hang With Me” ou “Dancing On My Own” dos dois volumes anteriores), já composições como “Time Machine” ou “Stars 4 Ever” registavam uma voz criativa que estava a saber “invadir” um espaço no qual Madonna desenhara recentemente um dos episódios da sua carreira, e aqui com exemplos bem mais nutritivos que os que se escutavam no menos estimulante “Hard Candy”. “Call Your Girlfriend” juntava mais um clássico ao lote…

Separados por alguns meses, mas todos eles lançados em 2010, os discos que constituiram o tríptico “Body Talk” somavam juntos um dos mais interessantes acontecimentos que a música pop nos deu a escutar na viragem das duas primeiras décadas do século. Havia um álbum que, numa selecção de temas incluídos nos três volumes, propõe agora um olhar panorâmico sobre esta aventura. Com o tríptico “Body Talk” Robyn venceu o desafio de superar o anterior Robyn (de 2005). E depois de ter já estabelecido um estatuto de popularidade e respeito transversal na Suécia e de se ter afirmado como uma das raras estrelas pop do presente admiradas em terreno indie, a cantora sueca passou a merecer um lugar entre a linha da frente dos acontecimentos no mapa mundo da pop atual.

Tudo parecia “arrumado”… Até que, por ocasião do Record Store Day de 2019 os três EP surgiram reunidos numa nova edição em duplo LP em vinil branco, num alinhamento com acoplamento modificado, juntando ainda uma versão acústica, inédita, de “Stars 4 Ever”.

“BodyTalk”, de Robyn, está disponível em 2LP numa edição da Konichiwa Records/Island Music Group



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