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42. Lluis Llach (1970)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas habituais. Este foi editado em 1970 e representa a definitiva afirmação de Lluis Llach como uma importante voz de referência no universo da ‘nova canção’ catalã.

Nascido em Girona, em 1948, o LLuis Llach tornou-se na reta final dos anos 60, numa das principais vozes da nova cançó, um espaço de luta pela expressão de uma canção popular em língua catalã na década de 60, ou seja, ainda numa Espanha sob o regime de Franco. Os seus primeiros passos na música foram dados ainda nos dias de escola – entre a guitarra que tinha em casa e um piano descoberta de novos cantautores em língua francesa, em particular Jacques Brel, que lhe abrem outros horizontes de possibilidades. Ao mudar-se para Barcelona, para fazer os estudos universitários, todos estes estímulos, aliados à construção de uma nova consciência social e política, acabaram por levá-lo a encontrar na música um terreno de expressão cada vez mais importante, descobrindo afinidades evidentes para com os terrenos da nova cançó que ficaram claras logo nos seus primeiros discos.

Em 1968, o mesmo ano em que apresenta pela primeira vez “L’Estaca”, que se tornaria num dos seus maiores cantos de resistência (e acabando anos depois a ser adotado, numa outra versão, como hino do sindicato polaco Solidariedade), Lluis LLach encontra uma pequena editora que tinha entre os seus objetivos a preservação da canção em língua catalã. Para a Concentric grava então um EP de quatro canções e, pouco depois, o álbum de estreia “Els Èxits de Lluis Llach”.

“Ara i Aqui” começou por ser um álbum ao vivo, mostrando o disco parte da atuação. De fora ficou, por exemplo, “L’Estaca”, tema que, por estar proibido pela censura, não foi interpretado pelo cantor, mas acabou por ser apresentado em versão instrumental e foi cantado pela plateia. Com alma folk, aceitando em alguns momentos soluções de arranjos de alguma complexidade, “Ara i Aqui” teve depois segunda versão num disco com o mesmo título, mas com um alinhamento diferente e feito com versões gravadas em estúdio. O disco ajudou a cimentar o seu reconhecimento entre uma nova geração de cantores de protesto.

“Ara I Aqui” teve a sua edição original, gravada ao vivo, em 1970 pela Movieplay no formato de LP. A versão de estúdio surgiu no mesmo ano, mais tarde, originalmente com capa diferente. Com o tempo tornou-se mais frequente a reedição da versão de estúdio, que corresponde à que em 1991 chegou a CD.

Da discografia de Lluis LLach a pena descobrir discos como:
“Com um Abre Nu” (1972)
“L’Estaca” (1974)
“Viatge a Itaka” (1975)

Se gostou, experimente ouvir:
Juan Manuel Serrat
Raimon
Els Setze Jutges

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