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Começa (e bem) um segundo ciclo na vida dos Vampire Weekend

Texto: NUNO GALOPIM

Depois de um trio de álbuns que deles fez um dos mais interessantes casos nascidos na cultura ‘indie’ do século XXI, os Vampire Weekend colocam fim a um silêncio de seis anos com um disco magnífico que confirma os valores já conhecidos e junta novas dimensões na música e nas ideias.

O silêncio foi longo. Seis anos… O regresso faz-se em trio (era já anunciada a partida de Rostam Batmanglij, a alma mais dada a experiências e exploração de sons na primeira etapa de vida do grupo). Mas com o novo “Father Of The Bride” fica a certeza de que os Vampire Weekend ultrapassaram com saúde (física e criativa) uma etapa de afirmação e consolidação e, agora, pela frente têm uma vastidão de possibilidades que poderão viver com a tranquilidade de quem soube sobreviver ao impacto de um nascimento e crescimento sob o foco das atenções. Estão livres, seguros, são donos do seu caminho e estão já imunes às mudanças dos ventos que as marés dos entusiasmos muitas vezes fazem abater sobre quem surge sob a aclamação de um dia e cede o lugar logo depois ao motor do frissom seguinte…

Convenhamos que sempre souberam dar os seus passos. Depois da “revelação” de “Vampire Weekend” (2008), que podemos recordar como um dos maiores discos indie pop dos anos 00, e na sequência de “Contra” (2010) que tão bem soube dar conta de uma noção de continuidade, coube ao terceiro álbum do grupo “Modern Vampires of The City” (2013) a transformação dos Vampire Weekend num dos casos mais sérios da música popular do nosso tempo. A partida de Rostam e o longo silêncio que se seguiu poderia ter representado eventuais fontes de erosão. Mas “Father of The Bride” revela agora a resposta na forma de um conjunto de canções afinal tão sedutor como o foram as propostas dos discos anteriores, com o valor acrescentado de, mantendo firmes as marcas de identidade, saber somar idiomas e paisagens a um corpo que aqui assimila mais ideias e ganha novas cores.

Se os sabores de África (sob um prisma à la Paul Simon) e de ecos do punk se revelaram no DNA primordial dos Vampire Weekend, o seu caminho tem mostrado sinais de evolução por adição de formas e soluções como um corpo que junta peças e as faz parte de um todo coerente, embora de fronteira sempre aberta a novas contaminações. Num tempo em que debates sobre valores ganham um peso político maior na cultura americana, revelando a country ser afinal bem mais do que um eco de um pensamento conservador, é precisamente aí que os Vampire Weekend vão captar algumas das marcas a que “Father Of The Bride” dá maior visibilidade, sobretudo nas canções nas quais colabora Danielle Haim. O lote de colaboradores – entre os quais encontramos ainda nomes como os de Steve Lacy ou do velho parceiro Rostam Batmanglij – e o universo de citações e referências (que passa pelos coros da Melanésia que Hans Zimmer levou para a banda sonora de “A Barreira Invisível”, de Terrence Malick) alarga contudo o leque de elementos em jogo num disco que acrescenta ainda marcas de relacionamento com o presente em letras que ora focam temáticas individuais e vivenciais como olham o mundo em volta e refletem os tempos políticos que vivemos. Talvez não haja aqui “êxitos imediatos” como o foram em tempos um “Mansard Roof” ou “A-Punk”. Mas, no seu todo, temos em “Father Of The Bride” mais um disco ao nível do patamar de excelência a que a discografia dos Vampire Weekend já nos habituou.

“Father Of The Bride”, dos Vampire Weekend, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da Sony Music.



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