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Uma primeira banda sonora para os quentes finais de tarde de 2019

Texto: NUNO GALOPIM

Quando o calor chega há finais de tarde que pedem uma banda sonora pop, com um gosto pelo pezinho de dança, para ouvir, de copo na mão, ao fim da tarde… Uma primeira proposta para este espaço surge com o novo álbum dos Crazy P.

Quantas bandas e artistas andam por aí e dos quais mal ou quase nunca ouvimos falar? É possível que haja quem tenha já ouvido falar dos Crazy P (que até 2008 respondiam como Crazy Penis)… Tenho memória da capa do seu primeiro álbum, “A Nice Hot Bath With…”, editado em 1998, tinham já então três anos de vida. Fruto do acaso o seu novo álbum (o oitavo), “Age of The Ego” cruzou-se com o meu olhar. A “culpa” foi, uma vez mais, da capa. Chimpanzés a tirar uma selfie… Da curiosidade veio o mergulho no som. E a verdade é que o festim electro para voz de tempero R&B “This It All It Seems”, que me fez lembrar uns Gus Gus, foi alerta suficiente para querer ouvir mais um pouco… Ao fim de 11 temas e de uma hora e um minuto de música, não havia ali motivos para fazer dos Crazy P um destino incontornáveis para ajustes de contas com uma falta de atenção no passado… Na verdade até os fui escutar, em dose homeopática… Mas tal como nomes como uns Lemonade ou Telemann, os Crazy P (que são de Nottingham, no Reino Unido), mostram em “Age of The Ego” um disco que, mesmo refletindo sobre comportamentos do presente, não deixa de traduzir uma leveza pop estival, para cenário entre o fim de tarde e o começo da noite, que se ajusta aos meses que temos pela frente.

Como acontecia em tempos com projetos como uns Electribe 101, Inner City ou Deee-Lite, é entre as linguagens ligadas à música de dança que estão os argumentos mais sólidos de canções que não deixam de mostrar, por vezes, vontade em explorar a forma da canção pop (ou algo nas suas periferias). House, heranças do disco, descendências do electro, assim como as tonalidades R&B da voz de Danielle Moore, são sabores que se cruzam num alinhamento que não se fecha num espaço único de sons e evocações. De memórias de bleeps acid house à pop lounge à la Saint Etienne (em “Kari”), de aromas funk a vapores que lembram pontualmente os terrenos pop de uns Tom Tom Club, “Age Of The Ego” é um bom cocktail leve para os dias quentes… E nem falta um piscar de olho a uma admiração por Chaka Khan no longo (tem oito minutos) “This Fire”. Tutti frutti, portanto.

“Age of The Ego”, dos Crazy P, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais, numa edição da Walk Don’t Walk Limited

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