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Está na hora de recordar a aventura de Tintin na Lua

Texto: NUNO GALOPIM

Os dois álbuns de aventuras de Tintin que narram uma missão lunar (que antecede até o lançamento do Sputnik) foram agora reunidos num único volume de 128 páginas e com o título comum “Tintim e a Lua”.

Tintin foi à Lua bem antes de John F. Kennedy ter lançado o desafio em inícios do seu mandato, abrindo então caminho ao programa Apollo da Nasa. Tintin foi chamado pelo amigo Professor Girassol a juntar-se à equipa que, num país fictício da Europa central, criara uma base secreta para, além da energia radioativa, trabalhar um programa espacial… Tudo sob a atenta vigilância de espiões internacionais…

A primeira parte de uma das mais bem elaboradas das aventuras de Tintin começou a ganhar forma entre 1950 e 1952 (anos antes dos russos terem levado Yuri Gagarin ao espaço!). E chegou a livro sob o título “Rumo à Lua”, em 1953. A viagem de Tintin à Lua teve direito a um segundo volume de aventuras. Originalmente publicado em 1954, “Explorando a Lua” acompanha a viagem de foguetão, a alunagem e regresso da expedição (que leva a bordo, sem que a tripulação saiba, um traidor e presenças inesperadas).

Anos antes da exploração espacial nos dar olhares mais informados, Hergé representa a Terra vista do espaço sem nuvens, a superfície lunar cheia de acidentes morfológicos de arestas evidentes e até uma gruta com gelo… Ninguém se importou quando, anos depois, fotografias e imagens filmadas mostraram outra realidade.

Uma preocupação pelo detalhe atravessa toda a construção da narrativa e das imagens. O foguetão sugere algumas afinidades no design com a memória das bombas V2. Mas na verdade há ali afinidades também com outras narrativas de ficção científica daquele tempo, nomeadamente o filme “Destination Moon” (1950) de Irving Pichel, onde encontramos um foguetão semelhante, uma superfície lunar acidentada e até um passeio no espaço no exterior da nave… Já o facto de os astronautas partirem deitados para a viagem fora uma imagem originalmente mostrada no cinema em “Frau Im Mond” de Fritz Lang.

Há contudo um trabalho na construção narrativa que ultrapassas estas afinidades visuais que traduzem naturalmente visões e opiniões daquele tempo. De resto não é invulgar vemos o díptico lunar de Tintin ser apontado entre os melhores trabalhos de Hergé.

PS. Quando, 15 anos depois de Tintin, Neil Armstrong finalmente foi o primeiro homem (de carne e osso) a pôr o pé na Lua, Hergé criou uma imagem que mostra o jovem repórter, o capitão Haddock e Milou (todos de fato de astronauta) a receber a Apollo 11 à chegada ao Mar da Tranquilidade… Como quem diz: chegámos primeiro!

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