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Ler Fernando Pessoa à luz de Nietzsche e vice-versa

Texto: HELENA BENTO

Uma nova coletânea de ensaios publicada pela Tinta-da-China revela as afinidades entre Friedrich Nietzsche e Fernando Pessoa e de que modo o filósofo influenciou o poeta modernista.

Explorar as afinidades entre Fernando Pessoa e Nietzsche, lendo o poeta à luz do filósofo e o filósofo à luz do poeta, é o que se procura em Nietzsche e Pessoa – Ensaios, uma coletânea que a Tinta-da-China vai lançar este mês, organizada por Bartholomew Ryan, Marta Faustino e Antonio Cardiello, investigadores do Instituto de Filosofia da Universidade de Lisboa (Ifilnova).

Dividida em três partes, a coleção reúne ensaios da autoria dos organizadores/editores bem como de outros investigadores portugueses e internacionais. Eduardo Lourenço assina o prefácio. São 15 textos divididos em três secções ou “intervalos”, seguidos de um dossiê concebido e organizado por Jerónimo Pizarro (investigador e tradutor colombiano especialista em Fernando Pessoa), que contém 12 textos de Pessoa com uma referência explícita a Nietzsche e disponibiliza as cópias dos manuscritos originais do poeta, acompanhadas de uma análise detalhada do investigador. Pablo Javier Pérez Lopez, Richard Zenith, Frabizio Boscaglia, João Constâncio, Maria João Mayer Branco, Maria Filomena Molder, Filipa Freitas e Gianfranco Ferraro são alguns dos especialistas que contribuem para este volume de ensaios.

Richard Zenith, por exemplo, também ele especialista em Pessoa, lê o poeta e os seus heterónimos à luz de duas doutrinas fundamentais de Nietzsche – o eterno retorno e a vontade de poder -, enquanto Fabrizio Boscaglia, autor de uma tese de doutoramento sobre A Presença Árabe-Islâmica em Fernando Pessoa, explora a afinidade histórica e filosófica entre Pessoa e Nietzsche no que diz respeito às metamorfoses e formas do islão, e Filipa Freitas analisa aspetos fundamentais de Álvaro de Campos e Nietzsche – como o tédio e o niilismo – à luz de Kierkegaard. O prefácio é de Eduardo Lourenço. De acordo com os editores/organizadores desta coleção, Nietzsche exerceu uma grande influência e impacto sobre Fernando Pessoa mas esse assunto – assim como uma série de temas caros ao poeta modernista – não estava, até à data, devidamente estudado e documentado. Pouco estudada ou “negligenciada” ao longo das últimas décadas manteve-se também a sua ligação à filosofia. Os investigadores do Instituto de Filosofia da Universidade de Lisboa assumem por isso a tarefa de “suprir esta lacuna”, concentrando-se no “intercâmbio criativo” de ideias entre Fernando Pessoa e Nietzsche. O grande objetivo é abrir novas perspetivas de reflexão não apenas sobre poeta e filósofo, mas também sobre Pessoa e a filosofia em geral. “No interior das tensões persistentes e não resolvidas entre a modernidade e a pós-modernidade, bem como da sobrecarga de informação desta era revolucionária da tecnologia e das comunicações digitais, o escritor, enquanto poeta e filósofo – como Pessoa e Nietzsche – pode e deve continuar a emergir, a criticar e a celebrar, no eterno mistério da vida e do estar vivo”, lê-se na introdução.

O lançamento da coletânea pela Tinta-da-China está marcado para sexta-feira, dia 12 de fevereiro, na livraria Fabula Urbis, a partir das 18h. O escritor Valério Romão fará a apresentação, à qual se seguirá um concerto dos Loafing Heroes.

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