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John Hurt (1940-2017)

Texto: NUNO GALOPIM

Vimo-lo em filmes como “O Expresso da Meia Noite” de Alan Parker, “O Homem Elefante” de Lynch, ou “Homem Morto” de Jarmush e em séries de televisão como “Eu Cláudio” ou “The Last Panthers” e ouvimo-lo num álbum magnífico dos The Art of Noise.

John Hurt em "The Last Panthers"

Vimo-lo como John Merrick, a figura central do magnífico O Homem Elefante que David Lynch assinou em 1980, papel que lhe valeu um Bafta e uma nomeação para os Óscares. Poucos meses antes tinha vestido a pele da primeira vítima do alienígena ameaçador revelado em Alien, O Oitavo Passageiro (1979) de Ridley Scott. E por essa mesma altura entrava em nossas casas com o sorriso maléfico do imperador Calígula nos episódios da série Eu Cláudio, da BBC. Presente no grande e no pequeno ecrã (ainda há bem pouco tempo vimo-lo em The Last Panthers) e também com obra feita no teatro, o grande ator John Hurt morreu ontem, aos 77 anos.

Filho de uma atriz amadora e de um vigário, John Hurt nascey em Chesterfield, no Derbyshire (Inglaterra) em 1940 e durante anos foi desencorajado pela família e professores a seguir o sonho de ser ator. O tiro saiu-lhes pela culatra quando, ao entrar para a Grimsby Art School em 1957, as artes do palco surgiram entre as suas prioridades. E em 1962 tinha o seu primeiro papel no cinema em The Will and the Winning, de Ralph Thomas. Acumulou pequenos papéis em diversas produções até que em 1971 conquistou a sua primeira nomeação para um Bafta em 10 Rillington Place de Richard Fleischer. Quatro anos depois davam-lhe o papel principal em The Naked Civil Servant, peça de teatro adaptada à televisão na qual teria de interpretar a figura de Quentin Crisp. Advertiram-no de que um papel tão ostensivamente Flamboyant lhe poderia sair caro e minar o futuro da sua carreira. Mas a verdade é que acabou o ano a vencer a categoria de Melhor Ator nos British Academy Television Awards.


“Eu Cláudio” (1976)

“O Homem Elefante” (1980)

“Homem Morto” (1995)

Entre os anos 70 e 80, além dos papéis em Alien, O Homem Elefante e Eu Cláudio tem momentos de triunfo em O Expresso da Meia Noite (1978), de Alan Parker, onde interpreta um junkie há muito perdido na prisão na qual está mergulhado o protagonista. Mais adiante contracena com Richard Burton numa adaptação de 1984. E parodiou a sua própria personagem de Alien no filme Spaceballs (1987) de Mel Brooks. Com um perfil de reconhecimento global, trabalhou depois tanto nos domínios do cinema de autor (colaborando com realizadores como Jim Jarmusch ou Lars Von Trier) ou em produções de grande impacte mainstream, da série de filmes Harry Potter a títulos como Hellboy, de Guillermo del Toro ou o quarto episódio de Indiana Jones.

Na música ouvimos a sua voz como narrador no disco de 1999 The Seduction of Claude Debussy dos The Art Of Noise. E vemo-lo como ator nos telediscos de Take it Away de Paul McCartney ou Attitude dos Suede.

O seu mais recente papel em televisão foi aquele que há bem poucas semanas vimos em The Last Panthers. Em cinema vamos reencontrá-lo daqui a dias em Jackie, de Pablo Larraín.

Por estrear estão ainda as suas três últimas participações no cinema. A sua interpretação da figura de Chamberlain em Darkest Hour, de Joe Wright deverá surgir nos ecrãs em novembro. Com estreia a anunciar está a sua presença num dos papéis da adaptação ao cinema de peça de NJ Crisp That Good Night, cuja rodagem decorreu em Portugal. Ainda em pós-produção está aquele que foi o seu último filme, My Name Is Lenny, de Ron Scalpello.

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