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A série para a qual Bowie fez “Blackstar” está a passar na RTP2!

Texto: NUNO GALOPIM

Realizada por Johann Renck, o mesmo que assinou os telediscos de “Blackstar” e de “Lazarus”, e com John Hurt e Samanha Morton no elenco, a série “Os Últimos Panteras” revela uma trama policial entranhada em cenários bem reais da Europa contemporânea.

Em finais de 2015 soubemos que havia uma nova canção de David Bowie na linha do horizonte porque (e aquilo era um exercício na arte da comunicação) se disse que uma nova série usaria no genérico um inédito seu… E lá vimos as imagens, e os primeiros 45 segundos de Blackstar, só depois o álbum (que surgiria a 8 de janeiro de 2016) sendo anunciado. Na verdade estava tudo mesmo muito ligado. O genérico anunciava The Last Panthers, uma minissérie de seis episódios, criada por Jack Thorne e toda ela realizada pelo sueco Johan Renck, o mesmo que assinou os telediscos de Blackstar e de Lazarus (os que nos confirmaram que havia mesmo um novo disco de Bowie a caminho)… Da série chegaram-nos entretanto boas notícias, opiniões positivas e até nomeações para os BAFTA. E agora podemo-la acompanhar, todas as noites, na RTP2 como Os Últimos Panteras.

A história é baseada em elementos reais, citando diretamente o nome de um gangue que operava em estados nascidos da fragmentação da Jugoslávia. Mas não esgota aí a sua ação, já que envolve forças e interesses que se expandem a outros focos europeus, com focos maiores (além do balcânico) na região de Marselha onde ocorreu um assalto operado pelo gangue e cuja investigação coloca em cena um oficial da polícia francês filho de emigrantes magrebinos e conhecedor (porque em tempos ali viveu) das dinâmicas nos bastidores de um bairro suburbano, o mesmo do qual saíram as armas usadas no roubo.

O agente Khalil (Tahar Rahim) é uma entre as personagens da teia que acompanhamos numa narrativa que envolve um elenco no qual se destacam as figuras de John Hurt e Samantha Morton, os peões numa trama que envolve não apenas o jogo clássico do thriller com polícias e ladrões, mas também o que lhes vai por baixo da pele, ligando-os a esferas onde corrupção e jogos de interesses tornam tudo mais turvo e complexo.

Se a excelência do elenco (sob magnífica direção de atores) e a música de Bowie no genérico são evidentes aperitivos para quem ouvir falar de Os Últimos Panteras e olhar para a sua ficha técnica, já o acompanhar da série vai destacar também o sólido trabalho de escrita de argumento, a estupenda banda sonora instrumental assinada por Clark (que está disponível em disco) e o brilhante esforço numa realização cinematográfica que tanto sabe traduzir realismo como encontrar uma assinatura visual esteticamente aprumada (e aqui os telediscos de Bowie voltam a fazer sentido como referência). Há uma escuridão invernosa que tolda o mundo em que a ação decorre. Um mundo que traduz tanto ecos das feridas recentes da guerra nos balcãs como das migrações que fazem a história da Europa contemporânea.

“Os Últimos Panteras” passa hoje, pelas 22.12, logo a seguir ao “Jornal 2”, na RTP2

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