Prince: um ano depois
Texto: NUNO GALOPIM
Faz um ano que, ainda mal refeitos do desaparecimento de David Bowie, ouvíamos a notícia da morte de Prince… Mal imaginávamos ainda que 2016 teria mais dois nomes da mesma dimensão a juntar a esta lista de despedidas (Leonard Cohen e George Michael)… Mas a 21 de abril de 2016 as atenções concentravam-se em volta de Paisley Park, um complexo de estúdios incluindo uma zona residencial que representava há muito não só o espaço de trabalho de Prince como era uma das suas residências.
Um ano depois, e com o caso jurídico envolvendo gestão das suas propriedades e legado ainda não plenamente resolvido, Prince continua a ser um nome na ordem do dia. Não só a Billboard confirmou que foi o artista que mais discos em suportes físicos vendeu em 2016 (com 2,23 milhões de álbuns, superando os 2,21 de Adele) e que, no total combinado de LP, CD e downloads vendidos atingiu um número de 7,7 milhões de cópias. Nos suportes físicos o disco mais vendido foi a antologia de 2001 The Very Best of Prince (668 mil), seguido pelo clássico de 1984 Purple Rain (498 mil).
Desde a morte de Prince foi apenas oficialmente lançado um disco. Trata-se da antologia Prince 4Ever (lançada em novembro), que incluía o inédito Moonbeam Levels, um tema gravado em 1982. Mais adiante, e depois de concluídas negociações com várias editoras, a Warner colocou a sua fatia do repertório nos serviços de streaming (algo que nos últimos tempos de vida de Prince era um exclusivo do Tidal). A Universal ficou entretanto com os direitos de exploração do catálogo restante, embora notícias recentes tenham dado conta que poderá ser feita uma contestação ao valor desse negócio.
A 9 de junho chega o primeiro grande lançamento com inéditos. Trata-se de uma versão DeLuxe do álbum de 1984 Purple Rain feita em três discos. Segundo revelou a Variety o primeiro corresponderá ao álbum original e o segundo a lados B dos singles e máxis editados por aqueles dias, não esquecendo naturalmente os edits para rádio e as versões longas. O terceiro disco inclui os tão desejados inéditos. Um deles, como revela ainda a Variety, é o longo The Dance Electric (que tem onze minutos de duração) e foi gravado pelo seu antigo companheiro de banda Andre Cymone. We Can F conheceu uma versão em Grafitti Bridge e surge em vários bootlegs. Electric Intercourse é uma balada que saiu do alinhamento final do álbum de 1984 para dar lugar a The Beautiful Ones. Possessed chegou a ser tocado na Purple Rain Tour. E Father’s Song, composto por Prince em colaboração com o seu pai, ouve-se numa sequência Purple Rain. Outros dos temas deste disco com inéditos gravados nesta época são Love and Sex, uma versão alternativa de Computer Blue, Velvet Kitty Cat, Our Destiny/Roadhouse Green ou Katrina’s Paper Dolls. Wonderful A, outro dos inéditos, é um dueto com Wendy & Lisa, que integravam os Revolution.
Até lá continuarão a chegar – via Warner – mais reedições dos máxis de Prince nos anos 80 e início dos 90. Para já, e para hoje, estava previsto o lançamento do EP inédito Deliverance, a ser editado pela Rogue Music Alliance. O caso entretanto está em tribunal, tendo sido emitida uma ordem que impede a sua venda até 3 de maio, o que obrigou a que fosse retirado de alguns serviços. A Pitchfork anunciou que, entretanto, a versão em single voltou a estar disponível, embora o EP continue sob a mesma ordem que trava para já as suas vendas. Mas esta manhã não constava pelo menos dos serviços de venda online com acesso em Portugal.
Podem ler aqui o obituário que publicámos há um ano
E aqui podem encontrar textos sobre todos os álbuns de Prince editados entre 1978 e 2006, parte de uma integral em curso que amanhã aqui continuará com um novo texto sobre Planet Earth, de 2007.


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