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13: Peggy Lee (1958)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas mais habituais. Aqui fica o 13º… Este surgiu em 1958 entre o mesmo conjunto de sessões que viram nascer o clássico “Fever” de Peggy Lee. É, por isso, um retrato mais completo da cantora nesses mesmos instantes.

Tinham já passado 16 anos sobre o seu primeiro grande sucesso quando, em 1958, uma série de sessões em estúdio, na companhia de uma pequena orquestra de dez elementos (na qual figuravam nomes como os de Don Fagerquist, Barney Kessel, Bob Enevoldsen, Howard Roberts, Pete Candoli e Shelly Manne), assistiu ao nascimento de um momento maior na história da música. Composta por Eddie Cooley e Otis Blackwell, e levada a disco pela primeira vez em 1956 por Little Willie John, Fever ganhava na voz de Peggy Lee uma versão que se transformaria num fenómeno de dimensão global, transformando-se na “assinatura” da cantora que nascera em 1920 no Dakota do Norte com o nome Norma Deloris Egstrom e que, depois de iniciar uma carreira profissional, se passara a apresentar artisticamente como Peggy Lee.

A versão de Fever, editada em single em 1958, acabou curiosamente fora do alinhamento do álbum que nasceu nessas mesmas sessões de gravação. Juntando uma série de composições de autores como Cole Porter, Benny Goodman ou Duke Ellington e até mesmo da própria Peggy Lee (que assina o tema-título e It’s a Good, Good Night), o álbum Things Are Swingin’ pode não ter representado nem o maior sucesso comercial da sua carreira nem traduzir aqueles que são mais vezes apontados como os seus momentos de referência maior no formato de álbum. Mas este não deixa de ser o disco que, pela forma como nasceu, mais de perto traduz os ambientes e o tempo (na carreira da cantora) em que o seu clássico Fever ganhou forma. O álbum, que ocasionalmente (como sucede em Alright Okay, You Win), expressa as afinidades entre linguagens do jazz e os afluentes que, por via do rhythmm and blues, chegaram a outros domínios da canção popular, traduz representa ainda um dos primeiros momentos do reatar de relacionamento da cantora com a Capitol Records, editora para a qual havia já gravado antes de 1952.

Excluída do alinhamento do álbum, a versão que Peggy Lee gravou de Fever nestas sessões de 1958 acabou por ser reunida às demais faixas então registas em estúdio numa reedição que o álbum conheceu em 2004. Apesar de creditado ao maestro Jack Marshall, o arranjo desta versão de Fever pode na verdade ser da autoria da própria Peggy Lee que, além de cantar, juntou algumas palavras de sua lavra à letra original e foi também que fez os célebres estalidos de dedos que escutamos nesta gravação.

“Things Are Swingin’” teve a sua edição original em LP pela Capitol Records em 1958 com misturas em mono e estéreo. A inclusão de “Fever” no alinhamento chegou com uma reedição em CD em 2004.

Da discografia de Peggy Lee vale a pena descobrir álbuns como:
“Black Coffe” (1956)
“Dream Street” (1957)
“That Was Then, Now is Now” (1965)

Se gostou, experimente ouvir:
Julie London
Sarah Vaughan
Dinah Washington

E podem aqui ler títulos anteriores desta lista:
1. Yma Sumac, “Voice of The Xtabay” (1950)
2. Les Baxter and His Orchestra, “Ritual of The Savage” (1951)
3. Georges Brassens, “Georges Brassens chante les chansons poétiques (…et souvent gaillardes) de… Georges Brassens” (1952)
4. Odetta, “The Tin Angel” (1954)
5. Harry Belafonte, “Calypso” (1956)
6. Elvis Presley, “Elvis’ Christmas Album” (1957)
7. Dalida, “Son Nom Est Dalida” (1957)
8. Ruth Brown, “Rock and Roll” (1957)
9. Johnny Cash, ““Johhny Cash with His Hot and Blue Guitar” (1957)
10. Martin Deny, “Exotica” (1957)
11. Spike Jones, “Dinner Music For People Who Aren’t Very Hungry” (1957)
12. Duane Eddy, “Have Twangy Guitar Will Travel” (1958)

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