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15. Babatunde Olatunji (1959)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas tabelas mais habituais. Aqui fica o 15º… Este surgiu em 1959, inaugurando a discografia do músico de origem nigeriana Babatunde Olatunji e colocando em cena aquele que é visto como o primeiro caso de sucesso do que mais tarde seria designado como world music.

Com origens na Nigéria e educação feita nos Estados Unidos nos anos 50 Babatunde Olatunji é muitas vezes lembrado como tendo sido o primeiro embaixador da música africana junto do grande público ocidental e, por isso, talvez corresponda o seu álbum de estreia, Drums Of Passion, ao primeiro disco de grande sucesso que, não correspondendo de todo a uma lógica de “recolha” etnomusicológica, se inscreve num espaço que, algum tempo depois, acabaria designado como world music.

Babatunde Olatunji nasceu em 1927 numa aldeia no sudoeste nigeriano e foi entre as tribos da região que cedo foi exposto às tradições musicais locais, nomeadamente as percussões. Numa altura em que frequentava aulas em Nova Iorque criou um grupo de percussão que lhe permitiu fazer atuações e ganhar dinheiro para pagar os estudos. É, contudo, depois de uma atuação com uma orquestra (em 1957), que a Columbia Records o convida para gravar para a editora, lançando o seu primeiro álbum em 1959.

Drums Of Passion foi um sucesso, colocando um disco essencialmente feito com trabalho de vozes e percussão sob a atenção de muitos, sobretudo nos EUA. Jin-Go-Lo-Ba, um dos temas do álbum, vendeu milhões de cópias no formato de single, gerando um clássico que mais tarde conheceria versões e citações por figuras como Serge Gainsbourg, Carlos Santana, Jellybean ou Fatboy Slim. O tema tornou-se numa referência na obra de Babatunde Olatunji, músico que depois de Drums of Passion manteve uma carreira aberta a várias linguagens e espaços musicais, cativando inclusivamente atenções entre grandes figuras do jazz. Apesar de traduzir ecos de tradições africanas, o álbum na verdade só teve em Babatunde Olatunji o único músico com berço em África já que os restantes percussionistas e vocalistas usados em estúdio eram de origem norte-americana.

“Drums of Passion” conheceu edição original em 1959 pela Columbia Records nos EUA numa versão Mono, surgindo pouco depois uma versão em Estéreo. O disco manteve-se sempre em catálogo, conhecendo várias reedições em vinil e, mais tarde, em CD. Nos últimos anos surgiram algumas novas prensagens em vini.

Da discografia de Babatunde Olatunji vale a pena descobrir álbuns como:
“Zungo!” (1961)
“Soul Makossa” (1973)
“Drums of Passion: The Invocation” (1988)

Se gostou, experimente ouvir:
Tony Allen
Mamady Keita
Fela Kuti

E podem aqui ler títulos anteriores desta lista:
1. Yma Sumac, “Voice of The Xtabay” (1950)
2. Les Baxter and His Orchestra, “Ritual of The Savage” (1951)
3. Georges Brassens, “Georges Brassens chante les chansons poétiques (…et souvent gaillardes) de… Georges Brassens” (1952)
4. Odetta, “The Tin Angel” (1954)
5. Harry Belafonte, “Calypso” (1956)
6. Elvis Presley, “Elvis’ Christmas Album” (1957)
7. Dalida, “Son Nom Est Dalida” (1957)
8. Ruth Brown, “Rock and Roll” (1957)
9. Johnny Cash, ““Johhny Cash with His Hot and Blue Guitar” (1957)
10. Martin Deny, “Exotica” (1957)
11. Spike Jones, “Dinner Music For People Who Aren’t Very Hungry” (1957)
12. Duane Eddy, “Have Twangy Guitar Will Travel” (1958)
13. Peggy Lee, “Things Are Swingin’” (1958)
14. Esquível, “Exploring New Sounds In Stereo” (1959)

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