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5. Harry Belafonte (1956)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas listas mais habituais. Aqui fica o sexto disco… E este revelou ecos da cultura jamaicana ao mundo e foi o primeiro LP a ultrapassar a fasquia do milhão de discos vendidos.

Mais do que apenas cantor, autor e ator, o tempo presente olha para a figura de Harry Belafonte (que neste momento soma belos 90 anos) como uma figura igualmente relevante na história social e política americana. Ativista, militante de diversas causas, foi rosto presente nas lutas pelos direitos civis e em ações de combate à sida e chegou mesmo a ser conselheiro num programa nos tempos da administração Kennedy. Na década de 50, antes de a visibilidade que o sucesso na música e no cinema lhe deram (e pela qual contribuiu para todas estas campanhas), notabilizou-se como um dos primeiros músicos de ascendência jamaicana a alcançar um patamar de visibilidade global.

Nascido em Nova Iorque em 1927, Harry Belafonte (na verdade o seu nome real é Harold George Bellanfanti Jr.) começou a cativar atenções em atuações em clubes da sua cidade no final da década de 40. Chegou aos discos pouco depois, valorizando relações com formas musicais das Caraíbas, ensaiando modelos de diálogo entre essas referências e linguagens pop contemporâneas. Esses diálogos ganharam forma maior em Calypso (1956), o seu terceiro álbum que o catapultou para um plano de popularidade pelo estrondoso volume de vendas que o disco alcançou já que foi o primeiro LP a ultrapassar a fasquia do milhão, tendo permanecido durante 31 semanas no primeiro lugar da lista da revista Billboard.

Apesar de em grande parte caracterizado pela presença de calypsos – como é o caso de Jamaica Farewell, que teria depois edição em single – o álbum ficou sobretudo conhecido por uma canção folk jamaicana tradicional, um canto de trabalho que traduz os ritmos e cansaço daqueles que carregam bananas para barcos num porto, durante a noite. Day-O (Banana Boat Song) tornou-se, inclusivamente, num standard com versões por vozes como as de Sara Vaughan ou do jamaicano Shaggy. E ganhou nova vida na história da cultura pop ao surgir, anos depois, na banda sonora do filme de Tim Burton Beetlejuice.

O disco conheceu novas edições depois de 1956. Há reedições recentes tanto em CD como em novas prensagens em vinil.

Da discografia de Harry Belafonte vale a pena descobrir álbuns como:

“Belafonte at Carnegie Hall” (1959)
“Jump Up Calypso” (1961)
“The Midnight Special” (1962)

Se gostou, experimente ouvir:
Johnny Mathis
Bobby Darin
The Drifters

E podem aqui ler títulos anteriores desta lista:
1. Yma Sumac, “Voice of The Xtabay” (1950)
2. Jackie Brenston & His Delta Cats, “Rocket 88” (1951)
3. Les Baxter and His Orchestra, “Ritual of The Savage” (1951)
4. Georges Brassens, “Georges Brassens chante les chansons poétiques (…et souvent gaillardes) de… Georges Brassens” (1952)
5. Odetta, “The Tin Angel” (1954)

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3 Trackbacks / Pingbacks

  1. 100 discos (daqueles que não costumam aparecer nas listas): Elvis Presley – Máquina de Escrever
  2. 100 discos (daqueles que não costumam aparecer nas listas): Dalida – Máquina de Escrever
  3. 100 discos (daqueles que não costumam aparecer nas listas): Ruth Brown, 1957 – Máquina de Escrever

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