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5. Odetta (1954)

Texto: NUNO GALOPIM

Uma lista com discos que não costumam figurar nas listas mais habituais. Porque nem só das memórias canónicas deve viver a revisitação da história da música. Aqui fica o quinto disco… E este abriu caminhos para uma nova geração de nomes da folk americana.

A primeira metade dos anos 50 abraçou o (novo) formato do LP sobretudo entre os terrenos da música clássica, o jazz, a música vinda dos universos do teatro e do cinema, cabendo à canção popular uma relativamente discreta representação, ao invés do que sucedia nos formatos pequenos, com o single a cativar as emergentes revelações sobretudo nas áreas do rhythm’n’blues e o emergente rock’n’roll. Em 1954, o ano em que Elvis Presley se estreia em disco e Bill Halley (com os seus cometas) edita, também em single, uma versão de Rock Around The Clock que em breve faria história, o LP estava ainda relativamente longe dos horizontes dessa nova geração de novos talentos… A canção popular começa então a avançar rumo à exploração do disco de longa duração por outras frentes. E coube então à dupla constituída por Odetta Holmes e Larry Mohr fazer do álbum que então editam em conjunto o assinar de um episódio que teria influência maior em toda uma geração de cantores folk que emergiria pouco depois.

Apesar de hoje habitualmente reeditado com o título The Tin Angel e de ser atribuído a Odetta, o disco na verdade surgiu em 1954 com o título original The Tin Angel Presents Odetta & Larry, sublinhando ali o facto de estas serem gravações efetuadas no clube The Tin Angel, em São Francisco. Juntando gravações de 1953 e 54, algumas delas captadas em atuações ao vivo, o disco cruza os universos da folk, da country, dos blues e do gospel, numa confluência de canções e referências que aqui encontravam um espaço de diálogo e definiam uma nova identidade comum.

De facto caberia a Odetta a mais firme descendência das ideias aqui lançadas, servindo Larry (que também ali tocava banjo) as contribuições mais próximas das raízes country. Depois de desfeita a dupla muitas destas canções integraram um repertório que de Odetta fez uma referência maior da folk americana e, também, da luta pelos direitos civis então travada nos EUA.

O disco conheceu novas edições nos anos 50 e 60, mantendo todavia a identificação original. Uma reedição, em 1993, em suporte de CD, juntava temas extra ao alinhamento e apresentava o álbum sob a designação com a qual, de facto, hoje é conhecido.

Da discografia de Odetta vale a pena descobrir álbuns como:

“Sings Ballads and Blues” (1956)
“My Eyes Have Seen” (1959)
“Odetta Sings Dylan” (1965)

Se gostou, experimente ouvir:
Woody Guthrie
Lead Belly
Sister Rosetta Tharpe

E podem aqui ler títulos anteriores desta lista:
1. Yma Sumac, “Voice of The Xtabay” (1950)
2. Jackie Brenston & His Delta Cats, “Rocket 88” (1951)
3. Les Baxter and His Orchestra, “Ritual of The Savage” (1951)
4. Georges Brassens, “Georges Brassens chante les chansons poétiques (…et souvent gaillardes) de… Georges Brassens” (1952)

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